A primeira pesquisa Quaest para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, divulgada na quarta-feira, 14, mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 46% das intenções de voto, contra 44% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os candidatos estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.
O levantamento também aponta que 9% dos entrevistados pretendem votar em branco ou nulo, enquanto 1% está indeciso. Em uma simulação que exclui os votos nulos e brancos, Flávio tem 51%, ante 49% de Lula. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Em análise publicada pelo g1, Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), abordou os fatores que podem determinar o resultado da eleição, incluindo a participação de eleitores ausentes no primeiro turno, a transferência de votos de candidatos derrotados e as propostas de Flávio Bolsonaro e Lula.
Na última pesquisa antes do primeiro turno, realizada em 3 de outubro, Flávio também aparecia numericamente à frente, com 44%, contra 42% de Lula. Desde então, ambos oscilaram positivamente, enquanto diminuiu a proporção de eleitores que declaravam intenção de votar em branco ou nulo ou de não comparecer às urnas.
Lula pode ganhar votos com redução da abstenção e medidas populares

Para Nunes, uma das principais oportunidades de crescimento de Lula está entre os eleitores que não compareceram às urnas ou votaram em branco ou nulo no primeiro turno. As abstenções, votos brancos e nulos somaram 39,1 milhões, o que representa 24,8% do eleitorado que estava apto a votar.
Dentro deste grupo, 43% afirmaram que pretendem votar no presidente Lula no segundo turno, enquanto 38% indicaram preferência por Flávio Bolsonaro.
Segundo Nunes, Lula precisa que mais eleitores que não compareceram no primeiro turno ou votaram branco ou nulo para presidente, compareçam ao segundo turno para que ele tenha mais chances de se reeleger.
Outro sinal favorável ao presidente aparece na percepção dos eleitores sobre os riscos associados aos dois candidatos. Entre os jovens, 45% afirmaram ter mais medo da volta da família Bolsonaro ao poder, enquanto outros 45% disseram temer mais a continuidade do governo Lula.
Na pesquisa anterior, o receio de um novo mandato de Lula predominava entre os jovens. A mudança pode representar uma oportunidade para a campanha petista recuperar apoio nesse segmento.
Nunes também comentou sobre a recuperação marginal da aprovação do governo, que passou de 44% para 45%. A desaprovação, por outro lado, recuou de 49% para 48%. Apesar disso, o saldo permanece negativo, o que, segundo Nunes, dificulta a possibilidade de uma virada.
A adoção de medidas populares também pode contribuir para o crescimento de Lula. Entre as iniciativas com avaliação favorável estão a proibição das apostas de quota fixa, o fim da escala de trabalho 6×1 — medida que contou com o apoio do governo e foi aprovada ontem, 14, no Senado —, os reajustes anuais do salário mínimo e a isenção de impostos sobre produtos da cesta básica.
O pacote de medidas destinado aos microempreendedores individuais (MEIs), que foi apresentado nesta semana, também apresenta potencial eleitoral, mas na avaliação do cientista político, ainda é desconhecida por grande parte da população.
Flávio Bolsonaro pode ampliar vantagem com votos de outros candidatos e propostas de segurança

Já para Flávio Bolsonaro, uma das principais oportunidades está na consolidação do apoio de eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno.
A Quaest identificou que a maior parte dos eleitores que votaram em alternativas à polarização entre Lula e Flávio tende a apoiar o senador no segundo turno. A exceção mais relevante é o eleitorado de Augusto Cury (AVANTE), terceiro colocado no primeiro turno, que aparece dividido.
Nunes também comentou sobre a mobilização tardia que beneficiou Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Entre os votos recebidos pelo senador, 7% foram definidos na última semana de campanha e 10% apenas no dia da eleição. Em comparação, 84% dos eleitores de Lula já haviam escolhido o presidente antes do início da campanha.
Segundo a análise, o movimento refletiu a concentração de votos da direita em Flávio, em detrimento de candidaturas como as de Ronaldo Caiado (PSD), Cury, Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (NOVO). Além da transferência de votos, propostas relacionadas à segurança pública podem favorecer o candidato do PL.
A redução da maioridade penal para 16 anos, e para 14 anos em casos de estupro, recebeu aprovação de 61% dos entrevistados que conheciam a proposta.
Já a proposta de classificar facções criminosas e milícias como organizações terroristas teve aprovação de 48%, contra 22% de desaprovação.
Nunes também apontou potencial de apoio à proposta de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Por outro lado, a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, o fim da reeleição presidencial e a limitação dos mandatos de ministros do STF enfrentam maior resistência.
Quaest: 64% aprovam proibição das apostas no Brasil

A proibição das apostas de quota fixa, determinada pela Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026, aparece entre as medidas mais bem avaliadas pelos entrevistados na pesquisa Quaest. 64% dos entrevistados declararam conhecer e apoiar a proibição das apostas feita por Lula, enquanto 17% manifestaram desaprovação à medida.
O percentual de aprovação supera o registrado para o fim da escala de trabalho 6×1, que recebeu apoio de 61% dos entrevistados que conheciam a proposta, contra 20% de desaprovação.
Os resultados indicam que a proibição das apostas tem respaldo popular, apesar das críticas de representantes da indústria regulada, que vêm alertando para os impactos econômicos da medida e para o risco de migração de apostadores ao mercado ilegal.
Para Nunes, a aprovação da proibição pode beneficiar Lula na reta final da campanha, especialmente se o presidente conseguir associar a medida à sua candidatura.
Entretanto, o levantamento não demonstra, por si só, que o apoio à proibição se traduzirá em votos para Lula. A pesquisa mede a avaliação dos entrevistados sobre a medida, enquanto a intenção de voto depende de outros fatores.
Nota do editor
Embora o cientista político tenha dito que a proibição das apostas pode beneficiar Lula no segundo turno, o mesmo não aconteceu no primeiro turno. A campanha do presidente avalia, inclusive, que a proibição afetou negativamente seu desempenho.
O cálculo eleitoral da medida provisória sempre foi complexo, pois a MP também afetou diretamente clubes de futebol e influenciadores digitais famosos, que podem convencer eleitores a votar em Flávio Bolsonaro para acabar com a proibição.
Rejeição elevada mantém disputa indefinida
Apesar da vantagem numérica de Flávio Bolsonaro, os indicadores de rejeição reforçam o cenário de equilíbrio na disputa. Segundo a Quaest, 54% dos entrevistados afirmaram que não votariam no senador, enquanto 53% manifestaram rejeição a Lula.
Além disso, 49% consideram que Flávio não merece ocupar a Presidência da República, percentual que chega a 51% no caso de Lula.
Outro indicador abordado por Nunes é o aumento do interesse dos brasileiros na eleição. A proporção de entrevistados que se dizem muito interessados passou de 45%, na véspera do primeiro turno, para 51% na pesquisa mais recente. Em contrapartida, o percentual dos que não demonstram interesse caiu de 21% para 17%.
A Quaest entrevistou presencialmente 2.154 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
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