Integrantes da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que a decisão de proibir as apostas de quota fixa teve impacto negativo no desempenho do presidente no primeiro turno das eleições gerais de 2026 neste último domingo, 4. A Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026 entrou em vigor em 26 de setembro, nove dias antes das eleições.
Segundo a apuração do jornal O Globo, a campanha monitorou as redes sociais e identificou a atuação de influenciadores com alcance entre eleitores da classe C que passaram a pedir voto útil em Flávio Bolsonaro (PL) como reação à proibição das apostas online.
A avaliação ocorre após Flávio terminar o primeiro turno à frente de Lula. O herdeiro de Jair Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto o atual presidente registrou 45,16%. Os dois disputarão o segundo turno daqui a três semanas, em 25 de outubro.
Ainda de acordo com O Globo, havia divergências dentro da própria campanha petista sobre os possíveis efeitos eleitorais da medida. O ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom) e ex-marketeiro de Lula, Sidônio Palmeira, e a primeira-dama Janja da Silva defendiam a proibição completa das apostas online.
Sidônio avaliava que Lula precisava de uma medida de forte impacto na reta final da campanha, enquanto Janja considerava que a decisão teria apoio significativo entre as mulheres. Outros integrantes do entorno presidencial, porém, enxergavam a proibição como uma iniciativa radical e de risco político, inclusive por atingir setores como os clubes de futebol. Lula, porém, decidiu seguir com o banimento.
A campanha também demonstrou preocupação com os efeitos que ainda podem ser provocados pela implementação da medida. Conforme relatado pelo jornal, o temor era de que a reação se intensificasse quando os sites de apostas fossem efetivamente retirados do ar.
Palver já indicava baixo potencial de ganho eleitoral para Lula

Antes do primeiro turno, um levantamento da Palver já indicava que a proibição das apostas online dificilmente produziria uma mudança eleitoral favorável a Lula.
A pesquisa mostrou que 65% dos entrevistados apoiavam a proibição, enquanto 18% eram contrários, 6% não souberam responder e 11% disseram não conhecer a proposta. Apesar do apoio majoritário à medida, apenas 1% dos entrevistados afirmou que ela poderia fazê-lo mudar de voto para presidente.
Entre os participantes, 52% disseram que a proibição não interferia em sua escolha eleitoral, enquanto outros 34% afirmaram que a decisão apenas reforçava um voto já definido. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, o percentual que admitia mudar de voto por causa da medida também era de apenas 1%.
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