O senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) criticou nesta quarta-feira, 7, a decisão do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de proibir as apostas de quota fixa no Brasil. Para o adversário de Lula, a medida representa uma ameaça à segurança jurídica e atinge empresas que haviam recebido autorização para atuar no mercado regulado.
As declarações foram dadas durante uma entrevista coletiva após encontro com representantes da federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, de acordo com reportagem da Folha de S. Paulo. Flávio Bolsonaro afirmou que a decisão, adotada nove dias antes do primeiro turno das eleições, acabou produzindo um efeito político diferente do esperado.
“Ele toma [essa medida] a poucos dias da eleição como se isso fosse ser revertido em votos para ele, [mas] o efeito foi o contrário. Ele agrediu a segurança jurídica, agrediu os clubes, diversas empresas”, afirmou Flávio Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro também argumentou que o governo recebeu recursos de empresas que pagaram pelas autorizações federais para operar no país e, posteriormente, decidiu encerrar o mercado. O candidato também destacou o caráter provisório da medida, observando que ela poderá perder a validade caso não seja aprovada pelo Congresso Nacional dentro do prazo constitucional.
Apesar das críticas, Flávio Bolsonaro não detalhou, desta vez, qual seria sua política para o setor de apostas caso seja eleito presidente. Ele defendeu que apostas esportivas e cassinos online sejam tratados de forma distinta, mas não respondeu se votaria a favor ou contra a medida provisória que determinou a proibição.
Durante a coletiva, Flávio Bolsonaro voltou a chamar Lula de “pai do tigrinho” e ressaltou que votou contra a regulamentação das apostas em 2023. O pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, não regulamentou o setor após a legalização das apostas feita por Michel Temer nos últimos momentos de seu mandato em 2018.
Declarações de Flávio Bolsonaro provam que proibição das apostas prejudicou Lula no primeiro turno

A avaliação de Flávio Bolsonaro sobre os efeitos eleitorais da proibição das apostas encontra paralelo dentro da própria campanha de Lula. Integrantes da equipe do presidente entendem que a medida provisória teve impacto negativo sobre seu desempenho no primeiro turno. Lula terminou o primeiro turno em segundo lugar, com 45,16% dos votos válidos, contra 47,03% de Flávio.
Há poucos dias, no entanto, quando o cálculo eleitoral da proibição ainda era incerto e Lula estava confiante de que isso o beneficiaria na disputa com Flávio Bolsonaro, o senador teve uma postura diferente.
Em 23 de setembro, Flávio afirmou que os cassinos online eram um “problema” e que pretendia encerrar a oferta destes jogos na internet. Em contrapartida, ele defendeu a existência do mercado de apostas esportivas.
Outro fato que demonstra que a proibição das apostas online prejudicou Lula é que o presidente não tocou mais no assunto desde as eleições.
Lula e Flávio Bolsonaro vão se enfrentar no segundo turno em 25 de outubro. O que o SBC Notícias Brasil apurou até agora é que tanto Luiz Fux, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), quanto o Congresso vão decidir sobre a medida provisória somente após a eleição.
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