Carta aberta da AMIG: debate sobre apostas vai além de “permitir ou proibir”

Representação visual de jogos de cassino, incluindo roleta, dados e cartas em um fundo azulado
Crédito: Shutterstock

Nesta semana, a Associação de Mulheres da Indústria do Gaming (AMIG) publicou uma carta aberta em “defesa das mulheres, da legalidade e da regulamentação”. O posicionamento ocorre em meio às recentes manifestações favoráveis ao fim do mercado regulado de apostas.

No documento, a AMIG destacou: “A Associação de Mulheres da Indústria do Gaming manifesta profunda preocupação e repúdio às declarações públicas que defendem o fechamento ou a proibição de jogos e apostas que atuam legalmente no Brasil”.

Com 1.500 associadas, a entidade reforçou que, atualmente, a indústria reúne cerca de 10 mil mulheres que estão construindo suas carreiras no setor. Para a AMIG, eventuais medidas que coloquem o mercado regulado em risco também podem afetar diretamente a trajetória profissional dessas mulheres.

“Quando se ameaça indiscriminadamente o setor regulado, não se ameaça uma abstração. Ameaçam-se empregos, carreiras, renda, impostos e a autonomia econômica de milhares de mulheres”, afirmou a associação. 

Além disso, a AMIG defendeu a necessidade de combater o jogo ilegal, o endividamento das famílias brasileiras e a ludopatia, protegendo, ainda, os grupos mais vulneráveis. No entanto, destacou que a preocupação legítima com a segurança dos usuários não deve ser usada como fator determinante para “desconstruir o mercado regulado”. 

Mulheres representam 31% dos jogadores ativos no Brasil

Representação visual de mulheres. Crédito: Shutterstock.

Dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF) indicam que 10,1 milhões de mulheres estão entre os jogadores da atividade regulada, representando 31,7% do público no país.

Diante desse cenário, a AMIG questionou: “Quem protegerá essas mulheres se a atividade for empurrada de volta à clandestinidade?”, considerando que no setor ilegal, não há monitoramento, políticas de jogo responsável, preocupação com o jogador, proteção de dados e nem regras de publicidade. 

Em seu perfil pessoal no LinkedIn, Bárbara Teles, advogada e cofundadora da AMIG, comentou: “Quando falamos sobre o futuro do mercado regulado de jogos e apostas no Brasil (principalmente sobre a possibilidade de restrições drásticas), não estamos falando apenas de empresas ou de números. Estamos falando de milhões de consumidoras, milhares de profissionais, lideranças, empreendedoras e famílias que serão diretamente impactadas pelas decisões tomadas agora”.

Para ela, a construção de um mercado seguro e responsável depende de regulamentação, fiscalização, comunicação e mecanismos específicos de proteção aos usuários. Teles também defendeu que a proibição das apostas online não é a solução para os problemas associados à atividade.

Mercado legal x ilegal

A AMIG afirmou que o debate sobre as apostas deve ir além de “permitir ou proibir”. Segundo a associação, “a verdadeira escolha” está entre um ambiente regulado e fiscalizado e a atuação clandestina, sem regras e “invisível ao Estado”, o que, em sua avaliação, limita a capacidade de controle do poder público.

Ao fim de sua carta, a entidade pediu a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República, ao Ministério da Fazenda, ao Congresso Nacional e às demais autoridades envolvidas que diferenciem claramente as empresas licenciadas daquelas que operam à margem da lei.

“Combater a ilegalidade é proteger as mulheres. Enfraquecer a legalidade é deixá-las mais expostas”, concluiu a AMIG. 

O documento foi assinado por Ana Bárbara Costa Teixeira, Ana Helena Hoefel Pamplona, Bárbara Teles, Natalia Nogues e Teresa Caeiro, cofundadoras da AMIG. 


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