A Caixa Econômica Federal trabalha para garantir a continuidade dos serviços de conectividade utilizados pela sua rede lotérica diante do agravamento da crise financeira da Oi, empresa do ramo de telecomunicações.
A Oi integra o consórcio responsável pela infraestrutura que permite a realização de apostas, transações financeiras, pagamentos de contas e repasses de benefícios sociais em mais de 13 mil unidades no país.
As informações foram divulgadas em primeira mão pelo BNLData, que obteve acesso a uma carta enviada pela Federação Brasileira das Empresas Lotéricas (Febralot) à vice-presidência de Tecnologia e Digital da Caixa. No documento, a entidade pediu medidas emergenciais para evitar que uma eventual paralisação da Oi comprometa o atendimento à população.
A preocupação aumentou depois de 9 de julho, quando a Oi divulgou uma deterioração acelerada de sua situação financeira. A empresa, que está em recuperação judicial, reduziu de R$ 88,1 milhões para R$ 19,6 milhões sua projeção de disponibilidade de caixa para o fim daquele mês.
De acordo com uma petição apresentada pelo gestor judicial da Oi, a falta de recursos poderia tornar a operação da empresa insustentável a partir de 1º de agosto.
Febralot cobra plano de contingência da Caixa
Na avaliação da Febralot, uma interrupção na conectividade afetaria imediatamente os serviços prestados pela rede lotérica, incluindo saques, depósitos, recebimentos de contas, validação de apostas e pagamento de aposentadorias e programas sociais como o Bolsa Família.
A federação solicitou à Caixa a elaboração de um plano de contingência que permita a migração para outra operadora, além de garantias de suporte técnico aos empresários lotéricos e aos usuários. A carta foi assinada por Ricardo Amado Costa, presidente da Febralot.

A entidade também defendeu uma atuação conjunta da Caixa com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o juízo responsável pela recuperação judicial. O objetivo seria assegurar provisoriamente a manutenção da infraestrutura, considerada pela Febralot um serviço de interesse público e segurança social.
Segundo o BNLData, a Caixa informou que acompanha o processo judicial e que já adotou medidas para reduzir os riscos. Representantes da instituição participaram de uma reunião presencial com a magistrada responsável pela recuperação judicial em 8 de julho, um dia antes da divulgação do fato relevante pela Oi.
Na ocasião, a Caixa apresentou os possíveis impactos operacionais e sociais de uma eventual descontinuidade dos serviços. A Caixa também protocolou uma manifestação no processo e iniciou a elaboração de uma proposta técnica para preservar a conectividade da rede lotérica. O projeto ainda está em fase de consolidação.
Segundo a Caixa, a Oi não presta o serviço de forma isolada. O contrato envolve um consórcio formado também pela Sencinet e por outras empresas responsáveis por infraestrutura, suporte técnico e atendimento em campo.
Na avaliação da estatal, a participação dessas empressas mantém disponível a capacidade técnica e logística necessária para o funcionamento das lotéricas, mesmo diante das dificuldades financeiras enfrentadas pela Oi.
A Caixa afirmou que, até o momento, não há qualquer indicativo que as operações oferecidas pelas lotéricas possam ser afetadas. Paralelamente, o banco diz avançar na modernização de sua infraestrutura de telecomunicações, com a adoção de novas tecnologias e alternativas de conexão.
Apesar disso, a Caixa ainda não detalhou o cronograma nem as medidas específicas que integrarão o plano de contingência solicitado pela Febralot.
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