O Ministério da Saúde lançou no domingo, 26, a campanha “Prevenção aos Danos das Apostas Online” com o objetivo de conscientizar a população sobre os riscos associados ao jogo problemático. A iniciativa reúne materiais informativos, um teste de autoavaliação para que apostadores identifiquem possíveis sinais de dependência e conteúdo interativo que apresenta os principais alertas relacionados à ludopatia.
No vídeo da campanha, o ministério retrata a rotina de uma pessoa que enfrenta problemas decorrentes da dependência em apostas e destaca os serviços disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O atendimento é oferecido pelos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e por meio de teleatendimento. A campanha reforça, ainda, a utilização da ferramenta de autoexclusão unificada disponibilizada pelo Governo Federal.
Além das orientações sobre saúde mental, a campanha incentivou uma série de medidas para reduzir a exposição às apostas. Entre elas, estão o bloqueio temporário de transferências via Pix para empresas do setor, deixar de seguir influenciadores que promovem casas de apostas e configurar as redes sociais para não receber conteúdos relacionados aos termos “apostas” e “bets”.
O governo optou por lançar a campanha após um período de maior volume de apostas durante a Copa do Mundo de 2026 e aproveitou a retomada do Campeonato Brasileiro – Série A (Brasileirão) para ampliar a conscientização da população sobre a atividade.
Opinião do SBC Notícias Brasil
A campanha concentra sua comunicação nos impactos negativos que o jogo pode causar quando praticado de forma descontrolada, como endividamento, prejuízos à saúde mental e desenvolvimento da ludopatia.
Por outro lado, o setor regulado costuma defender que as ações de prevenção sejam acompanhadas de iniciativas de educação sobre jogo responsável. Segundo esse entendimento, as apostas são uma forma de entretenimento destinada exclusivamente ao público adulto e devem ser praticadas de maneira consciente, respeitando os limites financeiros e de tempo.
Nesse cenário, o debate gira em torno do equilíbrio da comunicação: enquanto campanhas de conscientização são consideradas fundamentais para alertar sobre os riscos da dependência, é preciso diferenciar o jogo problemático do consumo recreativo e reforçar o uso das ferramentas de proteção disponíveis, como limites de depósito, autoexclusão e monitoramento de comportamento.
Dessa forma, a prevenção tende a focar na identificação precoce de comportamentos de risco, sem desconsiderar que a atividade, quando realizada de forma responsável e dentro do ambiente regulado, pode ser encarada como entretenimento.
Confira também a entrevista com Gabriella Boska, do Ministério da Saúde, sobre semelhanças e diferenças entre ludopatia e vício em drogas.
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