Superbet anuncia linha de acolhimento a apostadores e campanha de R$ 60 milhões para divulgar serviço

Letreiro vermelho da Superbet na vitrine, com reflexos.
Crédito: Shutterstock

A Superbet, marca da Sprbt Interactive Brasil, anunciou nesta segunda-feira, 31, a criação de uma linha de acolhimento, disponível 24 horas por telefone e WhatsApp, para pessoas com problemas relacionados ao jogo. O serviço, denominado Superlinha, encaminhará os usuários para atendimento remoto no Instituto de Proteção ao Jogador (IPJ), com participação de assistentes sociais, psicólogos e psiquiatras.

A operadora destinará R$ 60 milhões — o dobro do valor pago pela licença federal — à campanha publicitária de divulgação da iniciativa, valor que não inclui os investimentos destinados diretamente à área de saúde mental. O ex-jogador Cafu, capitão da seleção brasileira campeã mundial em 2002 e embaixador da marca, será o protagonista da campanha.

Atendimento pode chegar a 3,5 mil pessoas por mês, diz CEO da Superbet

A Superlinha ampliará a capacidade do IPJ para até 3,5 mil atendimentos mensais, podendo ser ajustada conforme a procura pelo serviço.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, Alexandre Fonseca, CEO da Superbet, afirmou que o custo de manter a estrutura de acolhimento poderá superar o investimento realizado na divulgação.

“O mais caro será manter uma escala de atendimento para atender 1.000, 2.000, 3.500, 5.000 ou 10 mil pessoas. Nós vamos calibrar isso de acordo com o volume de procura”, afirmou o CEO.

Foto de Alexandre Fonseca, CEO da Superbet.
Crédito: LinkedIn

Além das inserções na TV Globo, maior emissora de televisão do país, a Superbet pretende divulgar o serviço em suas redes sociais, nos clubes patrocinados pela empresa (São Paulo e Fluminense) e em placas publicitárias nos estádios. De acordo com Fonseca, a Superlinha representa o segundo maior investimento em mídia da história da operadora, atrás apenas da campanha realizada durante a Copa do Mundo de 2026.

O executivo disse que a campanha não foi concebida como uma ação para conquistar novos apostadores ou gerar retorno de marca. Segundo ele, a empresa pretende atuar sobre os impactos sociais associados ao mercado de apostas.

Para o CEO da Superbet, a falta de educação do consumidor é problema

Fonseca argumentou que o debate sobre os problemas relacionados às apostas tem produzido propostas que vão desde o aumento da tributação até restrições mais severas ou a proibição da atividade. Na avaliação do executivo da Superbet, porém, a educação dos consumidores deveria ocupar posição central nas políticas do setor.

“Nós, como especialistas nisso, acreditamos que a raiz do problema é a educação do consumidor”, declarou.

Rodrigo Machado, psiquiatra do Hospital das Clínicas, consultado pela Folha de S. Paulo, apontou como preocupação adicional a parcela de jogadores sob risco de adoecimento no Brasil, superior a 7%. Segundo ele, índices observados em outros países ficam entre 1% e 3%.

CEO da Superbet critica proibição de publicidade e aumento de impostos

Fonseca também se posicionou contra a possibilidade de proibição da publicidade de apostas, prática já adotada por um estado e por alguns municípios e proposta por políticos em âmbito federal. Para o executivo, a comunicação é uma das formas de diferenciação entre as empresas autorizadas pelo Ministério da Fazenda e as plataformas que atuam clandestinamente no país.

“A minha única diferenciação como casa de apostas regulamentada no Brasil é poder fazer publicidade ampla”, afirmou o executivo da Superbet.

O CEO também criticou propostas para elevar a carga tributária do segmento. Na avaliação dele, um aumento dos impostos reduziria a capacidade de investimento das empresas sem necessariamente diminuir o consumo, uma vez que os prêmios oferecidos aos apostadores não funcionariam da mesma maneira que o preço final de produtos submetidos a uma tributação maior.

Para Fonseca, o mercado brasileiro tem espaço para continuar crescendo. Segundo dados do Ministério da Fazenda de 2025 citados pela Folha de S. Paulo, cerca de 10% da população brasileira participa do mercado de apostas, enquanto, de acordo com o executivo, a proporção chega a 25% na Inglaterra.


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