O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu representantes da sociedade civil, de entidades empresariais, religiosas, de saúde e de defesa do consumidor ontem, no Palácio do Planalto, para discutir os impactos das apostas online no Brasil. Segundo veículos como a Folha de S. Paulo e o Valor Econômico, Lula afirmou durante a reunião que quer tomar uma decisão mais drástica contra o setor.
“Eu pessoalmente acabava com as bets, eu acho que é um mal da sociedade. Agora, como presidente da República, eu tenho que saber que tem outras coisas que eu tenho que compartilhar, decisões para que a gente possa fazer da forma mais correta possível”, disse Lula.
“Eu acho que nós temos que tomar a decisão mais drástica. Porque nós não temos sequer inflação de demanda”.
Também chama a atenção que o encontro não contou com representantes das principais associações de operadores regulados — Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) — nem da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF).
Lula associa apostas ao endividamento

Segundo o site oficial de Lula, o presidente organizou o encontro para discutir os efeitos das apostas sobre o orçamento das famílias. O presidente relacionou as perdas com jogos online ao endividamento e afirmou que o governo pretende avaliar medidas adicionais para reduzir esses impactos. Neste quesito, Lula vai na contramão do Banco Central, que culpou a oferta de crédito pelo endividamento.
Participaram do encontro representantes da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e Instituto de Defesa de Consumidores (Idec).
Também estiveram representadas organizações ligadas à saúde, proteção de crianças e adolescentes e sociedade civil, como a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), o Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), o Instituto Alana e a Universidade de São Paulo (USP). Artistas e influenciadores também participaram.
No fim da reunião, Lula agradeceu a todos e afirmou que queria ouvir a “sociedade brasileira” antes de tomar uma decisão contra as apostas. O presidente também disse que dois terços da decisão já foram tomados.
“Quero agradecer a vocês porque hoje considero um norte para que a gente possa tomar uma decisão. Tem dois terços da decisão tomada. Faltava essa reunião para que a gente possa afinar e tomar uma decisão. É extremamente importante que a gente salve o país”, disse, segundo a Folha de S. Paulo.
“Essa semana nós temos uma reunião e eu sugeri que, antes de tomar qualquer decisão definitiva, eu queria ouvir o que a sociedade brasileira pensa sobre as bets para que a gente tome uma decisão baseada naquilo que a sociedade brasileira está sofrendo”.
Contraditoriamente, o presidente quer tomar uma decisão drástica contra o mercado regulado ao mesmo tempo em que reconhece as dificuldades em combater operadores ilegais.
Lula disse que o governo já bloqueou 60 mil plataformas clandestinas e que o Procon não tem condição de fiscalizar.
“Não tem prisão de segurança máxima que caiba tanta gente”.
Lula já vinha sendo bastante crítico às apostas durante o ano todo, mas as declarações dadas na reunião de ontem foram as mais fortes desde então.
O presidente saiu do campo das críticas para dizer que vai tomar uma atitude contra o setor em breve, possivelmente antes mesmo das eleições de 2026. Embora seja apenas especulação a esta altura, é possível que o presidente assine um decreto presidencial limitando a atuação dos cassinos online, que são a parte das apostas online que mais incomoda o governo.
IBJR comenta reunião de Lula

O IBJR, que não foi convidado para a reunião, afirmou em nota oficial que o setor regulado de apostas é o maior interessado em combater os operadores ilegais. Veja o posicionamento da entidade abaixo:
“Algumas informações apresentadas nesta terça-feira (1º) foram baseadas em metodologias, períodos e recortes distintos. Parte dos dados é anterior à entrada em vigor do mercado regulado ou foi coletada durante seus primeiros meses. Outras pesquisas utilizam parâmetros de países com realidades diferentes da brasileira.
Além disso, as análises não distinguem as empresas licenciadas no Brasil, que cumprem as obrigações previstas na legislação brasileira, das plataformas ilegais, que operam sem autorização e à margem dessas regras. O setor regulado é o maior interessado no combate à clandestinidade e na construção de um mercado seguro, responsável e sustentável no país”.
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