Operadores contestam dados divulgados pelos movimentos Block do Tigrinho e Brasil Contra as Bets

Cubo de madeira claro com símbolos de interrogação e balões de fala pretos, sobre superfície marrom-clara e fundo cinza
Crédito: Shutterstock

Os recentes movimentos Block no Tigrinho e Brasil Contra as Bets levantaram questionamentos por parte dos profissionais da indústria de apostas no Brasil. Enquanto as campanhas reúnem artistas e entidades da sociedade civil contra as apostas online, os dados apresentados foram apontados como inconsistentes por empresas licenciadas do setor. 

Segundo o BNLData, os operadores autorizados cobraram do Ministério da Fazenda regras mais restritivas e maior fiscalização do mercado ilegal e do fornecimento de versões clandestinas do Fortune Tiger. A manifestação foi provocada em resposta à pressão popular, gerada pelos movimentos, e visa desvincular as marcas legais daquelas que operam à margem da lei.

A campanha Block do Tigrinho afirma que 57% dos endividados no país teriam começado com apostas, com o percentual representando cerca de 47 milhões de brasileiros, considerando 83 milhões de inadimplentes segundo a Serasa. No entanto, dados oficiais do setor indicam que 25,2 milhões de pessoas apostaram em 2025. 

Imagem da campanha Block no Jogo do Tigrinho, da 342 Artes.
Crédito: 342 Artes

Outro ponto questionado pelo mercado regulado é a estimativa de R$ 143 bilhões que teriam sido direcionados às apostas online desde 2023. Para alcançar esse valor, os apostadores precisariam ter perdido cerca de R$ 48 bilhões por ano.

O BNLData também destacou que parte dos artistas que aderiram à ação, como Anitta, Caetano Veloso, Djavan e Emicida, utilizaria recursos de apostas para patrocinar suas apresentações.

A primeira-dama Rosângela Lula da Silva também se uniu ao movimento. Janja destacou o impacto do setor no orçamento das famílias brasileiras, atribuiu o endividamento da população às apostas e defendeu as medidas adotadas pelo governo Lula, focadas na tributação e na regulamentação da atividade no país. 

Divergências nos dados

Estudos do Instituto de Estudos de Saúde Pública e Sustentabilidade (IESPS) e da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) apontam que 12,8 milhões de pessoas apresentam comportamento de risco relacionado às apostas, enquanto o Ministério da Fazenda registra 25,2 milhões de brasileiros que realizaram apostas em 2025. A diferença entre os levantamentos faz com que o setor regulado questione a interpretação de que metade dos apostadores apresentaria algum tipo de comportamento problemático em relação ao jogo.

Além disso, dados oficiais do governo indicam que quase 13% da população apostou no período, com ticket médio mensal de R$ 122. Já o estudo das instituições estima que os custos sociais associados ao comportamento de risco podem chegar a R$ 30,6 bilhões, estimativa que é contestada pelo setor regulado em relação à metodologia utilizada.

Em relação ao mercado de trabalho, também há divergências sobre os impactos do setor na geração de vagas formais. Dados atribuídos ao Ministério do Trabalho indicam que, em 2024, o setor teria criado 1.144 empregos formais, com média de 19 postos por empresa. Por sua vez, informações atribuídas ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 84% desses trabalhadores não contribuiriam para a Previdência Social. Representantes do setor afirmam que, com a regulamentação efetiva a partir de 2025, a atividade já gera mais de 25 mil empregos diretos e cerca de 40 mil indiretos.


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