Com a regulamentação das apostas online no Brasil, a relação entre plataformas e apostadores passou a envolver não apenas a oferta de produtos e serviços, mas também mecanismos voltados à proteção do usuário. Monitoramento de comportamento, limites de depósito e tempo, alertas, autotestes e autoexclusão estão entre as ferramentas que integram as estratégias de jogo responsável adotadas pelo mercado regulado.
O tema ganhou ainda mais destaque nesta terça-feira, 15, quando é celebrado o Dia do Cliente, data que reforça a importância da relação entre empresas e consumidores. No entanto, no setor de apostas, a experiência do usuário envolve também a criação de mecanismos capazes de identificar situações de risco e oferecer alternativas de controle e suporte ao apostador.
Previstas na regulamentação e complementadas por iniciativas desenvolvidas pelas próprias empresas, essas medidas fazem parte de uma abordagem que combina tecnologia, monitoramento e prevenção. A partir da análise do comportamento dos usuários, as plataformas podem identificar sinais de jogo potencialmente problemático e, conforme o caso, disponibilizar alertas, restringir determinadas funcionalidades ou orientar o apostador sobre ferramentas de controle.
Além das soluções oferecidas diretamente pelas casas de apostas, o ecossistema inclui empresas especializadas em monitoramento, programas de apoio e iniciativas de conscientização. Um exemplo é o COMPULSAFE, desenvolvido pela Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (EBAC), que combina identificação de possíveis comportamentos de jogo problemático, suporte psicológico e acompanhamento individualizado.
A partir da análise realizada em conjunto com as empresas parceiras, são definidos planos de ação de acordo com cada caso, que podem incluir triagem e encaminhamento para um programa psicoeducativo gratuito, com duração de até oito semanas.
Segundo Ricardo Magri, CEO da EBAC, o sistema permite gerar alertas a partir de comportamentos que podem indicar um potencial transtorno do jogo, possibilitando que o operador ofereça acolhimento especializado ao usuário. Entre as empresas que aderiram à iniciativa, estão os grupos CDA Gaming (Casa de Apostas e Betsul), NSX (Betnacional), Esportes Gaming Brasil (Esportes da Sorte, Lottu e Onabet), Ana Gaming (7K, Cassino e Vera) e a HiperBet.
“Temos como iniciativa o monitoramento constante de comportamento de jogo, através da análise de perfis e padrões de apostas para identificar jogadores em grupos de riscos ou com comportamento potencialmente compulsivo e apresentar opções de tratamento”, comentou Tagiane Gomide Guimarães, diretora jurídica e de Integridade da Ana Gaming.
A LBBR, empresa de tecnologia especializada no setor de jogos digitais, também adota uma abordagem de jogo responsável baseada em prevenção, identificação e suporte. A estratégia começa no cadastro, quando os usuários recebem informações e recursos voltados ao controle da atividade, e inclui o uso de tecnologia para analisar padrões de comportamento e, quando necessário, disponibilizar alertas e ferramentas de autorregulação.
A empresa também mantém canais diretos de atendimento e indica instituições especializadas para usuários que necessitem de suporte externo, segundo Iuri Dutra, sócio da LBBR.
Para além das ferramentas disponibilizadas pelas empresas, a promoção do jogo responsável também envolve educação e conscientização dos apostadores. Daniel Fortune, criador de conteúdo digital, tem utilizado as redes sociais para abordar os riscos associados ao jogo compulsivo e incentivar uma relação mais consciente com as apostas, especialmente entre o público jovem.
O trabalho inclui parceria com a EBAC, voltada à divulgação de conteúdos sobre prevenção e ao apoio a pessoas que enfrentam problemas relacionados ao jogo.

“O mercado de apostas já é uma realidade consolidada no Brasil. Com esse avanço das apostas online, torna-se ainda mais urgente promover uma cultura de educação, consciência e apoio ao jogador. Incentivar o jogo responsável é fundamental para garantir a confiança do público, oferecer segurança a quem aposta e construir um ambiente mais saudável e sustentável para todos os envolvidos”, afirmou o influenciador.
A discussão sobre a proteção ao usuário também está relacionada ao combate ao mercado ilegal de apostas. Plataformas que atuam fora do ambiente regulado não estão submetidas às mesmas exigências aplicadas aos operadores autorizados, incluindo mecanismos de jogo responsável e monitoramento dos usuários.
Para Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e sócio do Betlaw, a fiscalização precisa alcançar não apenas as empresas que operam sem licença, mas também os prestadores de serviços que viabilizam sua atuação, especialmente meios de pagamento e instituições financeiras.
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