Marco Tulio Oliveira, CEO da Ana Gaming Brasil (7K, Cassino e Vera), avaliou como a regulamentação vem transformando a forma como as empresas de apostas atuam no mercado brasileiro, especialmente em relação ao jogo responsável. Na visão do executivo, a proteção do consumidor ganhou espaço estratégico nas operações licenciadas e será cada vez mais relevante para o crescimento sustentável do setor.
Mais do que atender às exigências regulatórias, Oliveira defendeu que o jogo responsável deve fazer parte da cultura das empresas e orientar áreas como comunicação, marketing, desenvolvimento de produtos e relacionamento com os clientes. Nesse cenário, a construção de confiança passa a ser também um diferencial competitivo.
Confira abaixo o artigo de opinião de Marco Tulio Oliveira, CEO da Ana Gaming Brasil.
Jogo responsável: da obrigação regulatória à cultura de negócio
O jogo responsável não limita o crescimento de uma operadora de apostas. Em um mercado regulado, ele passou a ser um diferencial competitivo. Empresas que colocam a proteção do consumidor no centro da operação estarão mais preparadas para crescer de forma sustentável.
A regulamentação das apostas no Brasil inaugurou uma nova etapa para o setor. Depois do primeiro ciclo de adaptação às novas regras, o desafio deixou de ser apenas atender às exigências legais. Agora, é incorporar o jogo responsável às decisões do dia a dia e à forma como as empresas se relacionam com seus clientes.
A aposta deve permanecer no campo do entretenimento. Isso significa respeitar limites, apostar de forma consciente e manter a atividade compatível com o orçamento destinado ao lazer, sem comprometer despesas essenciais nem alimentar a expectativa de recuperar perdas. Uma pesquisa da Anbima em parceria com a Kyvo mostra bem essa dinâmica: a relação de cada pessoa com as apostas muda conforme sua realidade financeira, e é justamente em momentos de maior pressão orçamentária que a atividade corre mais risco de deixar de ser entretenimento e passar a ser vista como tentativa de complementar renda ou recuperar perdas.
A confiança do consumidor também mudou de lugar nessa discussão. Ela deixou de ser apenas um tema reputacional para se tornar um ativo estratégico. Empresas que investem em transparência, informação clara e uso consciente fortalecem o relacionamento com seus usuários e constroem credibilidade para o longo prazo.
Ferramentas como limites de depósito, controle do tempo de sessão, alertas de comportamento e autoexclusão fazem parte desse compromisso. Elas oferecem ao consumidor recursos para acompanhar sua própria atividade, reconhecer excessos e interromper o uso da plataforma quando necessário. Os números mostram que esse compromisso já tem adesão real: segundo o Ministério da Fazenda, 1,2 milhão de pessoas já solicitaram autoexclusão voluntária pela Plataforma Centralizada de Autoexclusão até agosto de 2026, e cerca de 5 milhões de brasileiros deixaram de acessar plataformas de apostas credenciadas, somando autoexclusão e bloqueios externos.
Esse compromisso precisa estar presente no marketing, na comunicação, no desenvolvimento de produtos e nos indicadores que orientam a operação. É a coerência entre discurso e prática que transforma proteção ao consumidor em cultura de negócio.
O mercado brasileiro entra agora em sua fase de maturidade. A vantagem competitiva não estará apenas na melhor plataforma ou na maior oferta de produtos, mas na capacidade de construir relações de confiança em um ambiente seguro e transparente.
O futuro da indústria brasileira de apostas será definido menos pelo volume de apostas e mais pela capacidade de oferecer uma experiência responsável. Nesse cenário, o jogo responsável deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser uma estratégia de negócio.
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