Congresso Nacional articula mudanças na MP que proíbe apostas no Brasil

Foto do Congresso Nacional em Brasília.
Crédito: Shutterstock

Líderes partidários do Congresso Nacional avaliam que a Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026, que proibiu as apostas de quota fixa no Brasil, deverá sofrer alterações durante sua tramitação. Segundo a apuração de Lauriberto Pompeu, repórter do jornal O Globo, as negociações devem ganhar força somente após as eleições.

Entre as mudanças que estão sendo discutidas nos bastidores de Brasília estão a criação de um período de transição antes da aplicação integral da proibição, a possibilidade de devolução dos valores pagos pelas empresas pelas autorizações federais e a exclusão de determinadas atividades do alcance da medida, em vez de uma vedação ampla ao setor.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou a medida provisória na sexta-feira, 25, e proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa. O texto precisa ser analisado pelo Congresso em até 120 dias.

Paralelamente, entidades do setor regulado acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter a medida provisória. Caso o ministro Luiz Fux não considere este pedido, as entidades pediram um período de transição.

Mudanças começam a ser articuladas no Congresso

Apesar das conversas iniciais, parlamentares ouvidos pelo O Globo afirmam que ainda não há uma negociação consolidada em torno das alterações. Com deputados e senadores concentrados nas eleições, a tendência é que a discussão avance depois do pleito. 

“Vamos tratar disso pós-eleições, mas acho que terá que ser feito algo plausível”, afirmou ao jornal o líder do PP na Câmara dos Deputados, Doutor Luizinho (RJ).

Outro fator que deverá pesar na análise do Congresso é a reação dos clubes de futebol, diretamente afetados pelo fim dos contratos de publicidade e patrocínio com operadores de apostas. O presidente do Solidariedade, deputado Paulinho da Força (SP), avaliou que a pressão das equipes sobre os parlamentares poderá dificultar a aprovação da MP em sua forma atual.

Há também parlamentares que defendem deixar a medida perder validade ou trabalhar pela sua rejeição. Integrantes da base de Lula, por outro lado, afirmam que o governo pretende atuar pela tramitação do texto.

Renan Calheiros quer relatoria da MP

Renan Calheiros quer ser o relator da MP das apostas no Senado.
Senador Renan Calheiros Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado

Segundo O Globo, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que o Poder Executivo pretende procurar o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), depois das eleições para discutir os próximos passos.

Cabe a Alcolumbre instalar a comissão mista responsável pela análise inicial da medida provisória. Ainda não foi definido se a relatoria ficará com um senador ou deputado.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), integrante da base governista e favorável à proibição, já manifestou interesse em assumir a função. Ele afirmou, ao O Globo, que pretende pedir a Alcolumbre para ser designado relator. 

Enquanto o Congresso não inicia efetivamente a análise e o STF não toma uma decisão, os prazos estabelecidos pela medida provisória seguem em vigor. Os depósitos foram proibidos no mesmo dia em que a MP foi assinada e os apostadores poderão retirar voluntariamente os recursos depositados até 5 de outubro. Por outro lado, sites e aplicativos deverão ser retirados do ar a partir de 6 de outubro.


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