Governo convoca clubes de futebol para discutir impactos do fim das apostas online

Fachada da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
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O Ministério do Esporte (MEsp) convocou os clubes das quatro divisões do Campeonato Brasileiro e as federações estaduais para uma reunião em Brasília nesta terça-feira, 29, para discutir os impactos financeiros que a proibição das apostas de quota fixa terá no futebol.

A informação foi publicada em primeira mão pelo repórter Diogo Dantas, do jornal O Globo, nesta segunda-feira, 28. Segundo a apuração, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) foi procurada pelo ministério e ficou responsável por intermediar e mobilizar os convidados. No entanto, a entidade máxima do futebol brasileiro ainda avalia se enviará um representante ao encontro.

A reunião está prevista para as 15h, no gabinete do Ministério do Esporte. No ofício encaminhado ao presidente da CBF, Samir Xaud, a pasta afirma que o encontro terá como tema o “fortalecimento dos clubes e do futebol brasileiro” e pretende discutir iniciativas conjuntas para o desenvolvimento do esporte.

Parte dos clubes ainda está avaliando se participará da reunião. De acordo com o jornal, algumas equipes demonstraram receio de que o encontro seja utilizado eleitoralmente após a decisão do governo de proibir as apostas por meio da Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no dia 25.

A expectativa, segundo O Globo, é que o governo ouça as demandas dos times e avalie alternativas para reduzir eventuais prejuízos decorrentes do encerramento dos contratos mantidos com os operadores de apostas previamente autorizados a operar no país. Possíveis medidas de apoio aos clubes seriam analisadas em um segundo momento.

Antes da publicação da medida provisória, os clubes se uniram para fazer um apelo ao governo, mas não conseguiram impedir a proibição das apostas.

Clubes de futebol calculam impacto do fim dos patrocínios de apostas

Jogadores do Corinthians e do Flamengo disputam uma bola.
Crédito: Shutterstock

A reunião ocorre poucos dias depois de operadores começarem a comunicar aos clubes sobre a possibilidade de rescisão dos contratos de patrocínio. Antes mesmo da publicação da medida provisória, Corinthians, São Paulo e Fluminense estavam entre as equipes que haviam recebido notificações de patrocinadores sobre os efeitos de uma eventual proibição do setor.

Atualmente, 14 dos 20 clubes da Série A têm operadores de apostas como patrocinadores máster, e os contratos do segmento devem movimentar aproximadamente R$ 1,1 bilhão em 2026.

O levantamento do jornal também aponta, porém, que nenhum contrato individual com uma empresa do setor representa mais de 13% do orçamento de um clube da primeira divisão. Em conjunto, os patrocínios de operadores equivalem a cerca de 7% das receitas dos times da Série A.

O jornalista especializado em finanças do esporte Rodrigo Capelo avaliou anteriormente que o encerramento abrupto dos patrocínios poderia ampliar a inadimplência com fornecedores e prestadores de serviços, embora não significasse, em sua análise, uma ameaça à existência do futebol brasileiro.

Antes da proibição, o governo também discutia com dirigentes um programa de reestruturação financeira que poderia chegar a R$ 20 bilhões em linhas de crédito, destinado a clubes e Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). No entanto, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) negou, posteriormente, a criação de uma linha de crédito para socorrer clubes de futebol.


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