A Polícia Federal (PF) investiga possíveis transações envolvendo o advogado Nelson Wilians e empresas ligadas a PixBet no âmbito da Operação Arena, deflagrada nesta quinta-feira, 13.
Segundo o g1, que obteve acesso ao relatório da investigação, um negócio envolvendo um helicóptero e pagamentos que somam R$ 9,8 milhões está entre os elementos analisados pelos investigadores.
A aeronave, um Airbus EC 130 T2 apelidado de betcóptero, aparece na investigação como um dos pontos de ligação entre Wilians e Ernildo Junior, dono da PixBet. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
De acordo com o documento obtido pelo g1, Rubens Sobrinho Rodrigues Prudente teria cedido o helicóptero ao escritório Nelson Wilians Advogados em agosto de 2023, por meio de um empréstimo de um ano. Posteriormente, durante buscas em documentos de Ernildo Junior, os agentes localizaram um contrato de compra e venda da mesma aeronave. A Polícia Federal também apreendeu o carro de Ernildo Junior durante a operação.
O contrato, fechado em outubro de 2024, previa a compra do helicóptero pelo escritório de Wilians por US$ 5,5 milhões, com uma entrada de US$ 550 mil e outras nove parcelas.
Elo entre PixStar e Nelson Wilians

A investigação também encontrou dois comprovantes de pagamento da PixStar em favor do escritório Nelson Wilians Advogados. A empresa, sediada em Curaçao, seria integrante da estrutura utilizada pelo grupo investigado no exterior.
Segundo o g1, os repasses totalizaram R$ 9,8 milhões: um pagamento de R$ 4,8 milhões, realizado em julho de 2023, e outro de R$ 5 milhões, em agosto daquele ano. Os investigadores também localizaram uma nota fiscal referente a serviços relacionados ao helicóptero emitida pela EJFS Negócios e Participações, empresa de Ernildo Junior.
A Polícia Federal considera que os negócios envolvendo a aeronave indicam uma proximidade patrimonial entre integrantes do grupo PixBet e o escritório de Wilians. De acordo com a reportagem, os investigadores apuram se o advogado teria atuado em operações financeiras destinadas à ocultação de patrimônio de clientes.
A Operação Arena cumpriu 17 mandados de busca e apreensão autorizados pela 4ª Vara Federal da Paraíba, além de medidas de quebra de sigilo telemático e bancário. A Justiça também determinou o sequestro de até R$ 1,1 bilhão em bens, com ações na Paraíba, em São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná.
Outro lado
Ao g1, a defesa de Wilians afirmou que a relação entre o escritório e a PixBet é “estritamente profissional” e decorre da prestação de serviços de advocacia.
“A atuação do escritório em favor de seus clientes limita-se ao exercício regular da advocacia, não se confundindo com as atividades empresariais por eles desenvolvidas. O escritório repudia qualquer tentativa de associar a atuação profissional de seus advogados às atividades ou condutas atribuídas a seus clientes”, afirmou Santiago Schunck, advogado de Wilians.
“É preciso ter cautela para que o legítimo exercício da advocacia não seja indevidamente criminalizado em razão da natureza ou das atividades daqueles que o advogado representa”.
A PixBet, por sua vez, ainda não se manifestou sobre a Operação Arena. O SBC Notícias Brasil tentou contato com a assessoria da empresa após a operação ser divulgada pela polícia, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.
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