A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira, 13, a Operação Arena, que investiga um grupo empresarial suspeito de usar estruturas societárias e financeiras no Brasil e no exterior para ocultar a origem e o destino de recursos provenientes de apostas esportivas e de jogos online. A Justiça autorizou o sequestro de bens e valores de até R$ 1,1 bilhão.
A Operação Arena foi realizada pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), a Receita Federal e a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF). Ao todo, são cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em 14 locais nos estados da Paraíba, de São Paulo, de Sergipe, do Rio de Janeiro e do Paraná, além de medidas de quebra de sigilo bancário e telemático.
Segundo a apuração da TV Cabo Branco, afiliada da Rede Globo na Paraíba, e do Estadão, a sede da PixBet em Campina Grande (PB) foi alvo de buscas. O g1 noticiou que Ernildo Júnior, dono da PixBet, foi abordado pela Polícia Federal em Campina Grande e teve o carro apreendido. O advogado Nelson Wilians também foi alvo de um mandado cumprido em sua mansão em São Paulo.
A PF informou que os investigados poderão responder por crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Investigação aponta uso de empresas no exterior
De acordo com a Receita Federal, as investigações identificaram indícios de uma estrutura empresarial e financeira criada para fazer com que operações relacionadas à exploração de apostas online aparentassem ser conduzidas no exterior, embora a gestão operacional, administrativa e decisória ocorresse, em tese, no Brasil.
Empresas constituídas fora do país teriam sido usadas para justificar remessas internacionais de valores elevados sem atividade econômica compatível com os recursos movimentados. A investigação também apura o uso de instituições de pagamento, operações de câmbio e ativos digitais para dificultar a identificação da origem, do destino e dos beneficiários finais do dinheiro.
A Receita afirma ainda ter encontrado possíveis indícios de omissão de rendimentos e de estruturas empresariais destinadas a reduzir ou evitar irregularmente o pagamento de tributos. O órgão passou a integrar formalmente a investigação em 2025 e participa da Operação Arena com 40 auditores-fiscais e analistas-tributários.
A apuração da TV Cabo Branco acrescenta que a PixStar, empresa sediada em Curaçao e descrita pela reportagem como uma empresa de fachada, também aparece na investigação. Segundo o g1, a Polícia Federal identificou pagamentos indevidos entre a PixBet e a PixStar.
Desde junho, o Governo Federal intensificou as operações contra o mercado ilegal de apostas, tendo deflagrado ao menos cinco grandes operações no período. Especialistas atribuem as ações do governo à redução da participação do mercado ilegal nas apostas.
Outro lado
O SBC Notícias Brasil tentou contato com a assessoria de imprensa e com funcionários da PixBet, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O texto será atualizado quando a empresa se manifestar sobre a Operação Arena.
A PixBet segue operando normalmente apesar do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) ter mantido, em julho, a decisão que suspendia o site em todo o território nacional. A Pixbet Soluções Tecnológicas Ltda é acusada de não oferecer mecanismos de segurança suficientes para impedir o acesso de menores de idade em suas plataformas.
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