Para o presidente Lula, empresas de apostas e jogos on-line devem pagar pela reabilitação de pessoas com problemas de vício em jogos. Na quinta-feira passada, 3, o presidente se reuniu com ministros de pastas do governo para discutir medidas sobre a regulamentação da indústria.
O líder do Executivo teria pedido para que os auxiliares incluíssem nas propostas a possibilidade de casas de apostas custearem o tratamento daqueles com problemas de vício, segundo apuração do Metrópoles. Ele também teria dito que o Brasil deve ter a mesma posição com o mercado de apostas que teve com relação ao cigarro, por exemplo.
“Tem muita gente se endividando, tem muita gente gastando o que não tem, e nós achamos que isso deve ser tratado como uma questão de dependência. Ou seja, as pessoas são dependentes, estão viciadas”, disse.
A solicitação de Lula seguiria o caminho que outras potências tomaram, como o Reino Unido, em que taxas pagas por operadores são aplicadas diretamente no combate ao vício em jogos e na reabilitação de transtornos causados pelo vício.
Na terra do Rei Charles III, operadores de jogos e apostas on-line devem pagar 1% sobre a receita bruta de jogos, enquanto casas de apostas e cassinos pagam cerca de 0,4%. A Comissão de Jogos é responsável pela distribuição dos fundos diretamente para o National Health Service (NHS) e para a UK Research and Innovation (UKRI).
Como falas de Lula podem afetar indústria de jogos no país
O tom duro do presidente sobre as apostas e as sugestões de outros parlamentares, que são medidas mais duras para a indústria, não agradaram totalmente os membros do governo. Membros do governo já teriam pedido também menos rigidez com relação ao mercado de apostas.
Anton Rublievskyi, CEO e sócio da Growe, em entrevista para a SBC, informou que “ainda há uma certa incerteza sobre como o mercado [brasileiro] se desenvolverá e, embora muitas empresas estejam se preparando para o lançamento oficial, é fundamental ser cauteloso e atento a como evolui o panorama regulatório”.
“O Brasil apresenta um mercado com potencial, embora o caminho para a regulamentação tenha sido complicado”, disse o CEO.
O mundo de apostas e jogos on-line está de olho em como o Brasil coloca em prática suas medidas de regulamentação, e o clima de instabilidade pode influenciar negativamente a tomada de decisão no país. Apesar disso, operadores estão empolgados com o cenário brasileiro se expandindo, especialmente com a possível liberação de cassinos físicos nos próximos meses.
Campanhas de conscientização
O governo brasileiro está preparando três campanhas de conscientização como maneira de alertar usuários de jogos on-line e apostas.
A primeira campanha já está acontecendo, que é a divulgação das operadoras que podem atuar no Brasil legalmente.
A segunda campanha, em parceria com o Ministério da Saúde, servirá de alerta contra as dívidas de jogo e deve conscientizar a população sobre os efeitos das apostas na saúde. O foco da campanha será por meios publicitários, fortalecendo que apostas são entretenimento, e não fonte de renda extra.
A terceira e última campanha acontecerá em janeiro de 2025, após a regularização do mercado, junto às empresas que tiveram as licenças aprovadas para atuar no Brasil.












