SBC Summit Americas 2026: especialistas discutem impacto do Pix na experiência do apostador

Thomas Carvalhaes, Ari Celia, Rony Silva, Bruno Veridiano Geraldini e Matt Sahakian discutindo sobre o Pix no SBC Summit Americas 2026
Crédito: SBC

Durante o SBC Summit Americas, realizado entre 9 e 11 de junho, em Fort Lauderdale, na Flórida, especialistas discutiram como o Pix tem transformado o comportamento dos jogadores no mercado brasileiro.

Na quarta-feira, 10, participaram do painel “Pix: Instant Payments” Ari Celia (diretor de Relações Institucionais, Pay4Fun), substituindo o CEO Leonardo Baptista, que não pode estar presente, Bruno Veridiano Geraldini (diretor de Assuntos Executivos, Brazino777), Matt Sahakian (consultor de iGaming, Zeroum) e Rony Silva (diretor de Tecnologia, Aposta Ganha Loterias), moderado por Thomas Carvalhaes (CEO, TC iGaming Advisors LatAm).

O primeiro aspecto analisado pelos especialistas foi a relação entre o meio de pagamento instantâneo e o jogo responsável, além das formas de prevenção da prática compulsiva. Para Geraldini, não é a transação financeira em si que sinaliza um possível comportamento de risco, mas o padrão de comportamento do usuário e o conjunto de operações realizadas na plataforma.

Na avaliação do executivo, a ludopatia não é intensificada pelo meio de pagamento, embora ele possa funcionar como um indicativo, desde que corretamente interpretado, para a identificação de sinais de alerta.

Sahakian trouxe uma perspectiva internacional ao debate. Para ele, o Pix representa a maior revolução tecnológica e financeira digital do Brasil. O especialista afirmou que muitos estrangeiros ainda não compreendem a dimensão e o impacto da inovação promovida pelo sistema de pagamentos instantâneos.

Thomas Carvalhaes, Ari Celia, Rony Silva, Bruno Veridiano Geraldini e Matt Sahakian durante o painel “Pix: Instant Payments”, no SBC Summit Americas 2026. Crédito: SBC.

O alcance do Pix e sua rápida adoção pelos brasileiros também foram destacados pelos participantes do painel. Segundo Celia, o sistema já responde por 65% dos pagamentos no varejo online.

Além da liquidação instantânea, o método oferece maior proteção aos dados dos usuários em comparação com sistemas utilizados anteriormente, como a Transferência Eletrônica Disponível (TED), que exigia o compartilhamento de informações pessoais e bancárias para a realização das transações.

Na avaliação do executivo, o Pix está entre os meios de pagamento mais seguros do país. No mercado de apostas, a própria legislação estabelece que o jogador deve se cadastrar na plataforma e passar por processos de verificação de identidade antes de realizar depósitos ou saques, reduzindo os riscos de fraude. Além disso, as normas determinam que os recursos utilizados nas transações sejam provenientes da conta bancária do próprio usuário, vedando operações realizadas por terceiros.

Em concordância com os demais especialistas, Geraldini afirmou que muitas empresas internacionais ainda enfrentam dificuldades para compreender as particularidades do sistema financeiro brasileiro ao ingressarem no país.

Segundo ele, é comum que essas companhias não entendam plenamente o funcionamento do Pix e o conceito das chaves de transferência, criando etapas desnecessárias na jornada do usuário. Em vez de exigir o preenchimento de dados bancários completos, as plataformas poderiam adotar soluções como a chave Pix – ou outros métodos igualmente simples – para tornar a experiência de pagamento mais ágil e intuitiva.

Silva também contribuiu para o debate ao comentar o cenário das apostas antes da regulamentação no Brasil e os impactos das novas exigências sobre a experiência dos usuários. Segundo ele, a Aposta Ganha sempre buscou oferecer jornada de pagamento simples e eficiente, eliminando etapas desnecessárias e mantendo um processo de onboarding intuitivo. Com a entrada em vigor da regulamentação e a ampliação dos requisitos cadastrais, a estratégia da empresa foi minimizar os impactos dessas mudanças para os jogadores.

O executivo observou que muitas empresas internacionais continuaram exigindo informações consideradas pouco relevantes para a conclusão das transações, como o código do banco – dado que nem sempre é conhecido pelos usuários. Na avaliação de Silva, esse tipo de exigência aumenta o atrito na experiência do cliente, comprometendo a relação entre operador e jogador.

Antes de finalizar o painel, Geraldini reforçou que o Pix é uma das principais ferramentas para combater o mercado ilegal: “Contar com o Banco Central, com a SPA e com as entidades responsáveis para estreitar esse controle e ter mais informações para poder combater o mercado ilegal é fundamental, e o Pix é, sem dúvida, uma ferramenta muito forte para isso”.


O painel completo está disponível no SBC Connect. Cadastre-se para ter acesso a todos os debates do SBC Summit Americas 2026.


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