Nesta terça-feira, 11, o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) divulgou o estudo “Fora do Radar 2.0 – Dimensionamento e combate do mercado ilegal de apostas no Brasil”, elaborado pela LCA Consultores a pedido da entidade. Os dados revelaram redução na participação do mercado ilegal de apostas no Brasil, que passou de 41% a 51%, segundo levantamento divulgado em junho de 2025, para 38% a 44%, entre janeiro e junho de 2026.
Em comparação com outros mercados, o setor não regulado ainda é relevante no país. Na Irlanda, apenas 3% do setor é ilegal; na Suécia, 6%; no Reino Unido, 8%; na Dinamarca, 9%; e na Itália, 10%. Espanha, Austrália, México, Alemanha, República Tcheca e França apresentam entre 10% e 37% de participação do mercado ilegal. O percentual brasileiro é inferior ao dos Países Baixos, onde o mercado clandestino representa 51% do setor.
“Os resultados da estimativa de participação dos operadores ilegais no consumo de apostas indicam não apenas a queda relativa do tamanho do mercado ilegal, mas também menor incerteza sobre a magnitude desse mercado, sinalizando avanços importantes decorrentes da regulamentação e das medidas de combate às plataformas ilegais. Ao mesmo tempo, os resultados reforçam a importância de mantermos a evolução desse trabalho, com a continuidade das iniciativas de fiscalização”, afirmou Eric Brasil, diretor de Regulação e Políticas Públicas da LCA Consultores.
Perfil dos apostadores no mercado ilegal

O estudo também utilizou dados da pesquisa “Dimensionando a incidência de apostas ilegais no Brasil”, conduzida pelo Instituto Locomotiva em maio de 2026. Ao todo, 2.291 jogadores foram ouvidos. Entre eles, 53% fizeram apostas em sites que não exigiram reconhecimento facial; 48% apostaram em sites que não tinham o domínio “.bet.br”; 37% realizaram depósitos via cartão de crédito; e 23% usaram criptoativos.
“A persistência de operadores ilegais no mercado brasileiro de apostas constitui um desafio relevante. Fora do ambiente regulado, essas plataformas não estão submetidas às mesmas exigências de segurança, integridade, prevenção à lavagem de dinheiro, proteção ao consumidor e jogo responsável, além de não recolherem impostos”, reforçou a LCA no documento.
Além disso, foi observado que o público majoritário das plataformas clandestinas é composto por homens (61%), com idade entre 30 e 49 anos (40%), com ensino médio completo (70%), trabalhadores celetistas (46%) e com renda de até dois salários mínimos (51%).
Em relação à distribuição regional da amostra, o Sudeste concentra a maior parcela, com 36% dos entrevistados, seguido pelo Nordeste (25%), Sul (14%), Centro-Oeste (14%) e Norte (10%).
O estudo também destacou que 61% dos elegíveis ao mercado ilegal afirmaram já ter sentido que apostaram mais do que deveriam, ante 42% dos apostadores não elegíveis ao setor ilegal. O uso da ferramenta de autoexclusão também é maior entre os elegíveis ao mercado ilegal: 48% afirmaram já ter utilizado o recurso, contra 30% dos não elegíveis.
Outro dado apontado pelo levantamento mostra que 2 em cada 3 apostadores deixariam de acessar um site de apostas se descobrirem que a operação é ilegal.
Nomes similares de operadores confundem apostadores
Na nova pesquisa da LCA Consultores, também foi observado que é comum que empresas não licenciadas utilizem nomes similares aos de marcas legítimas para fornecer uma falsa percepção aos apostadores. Além disso, é possível que os sites ilegais mudem recorrentemente o domínio em que operam para garantir atuação contínua no país.
Nessas plataformas, que operam sem autorização no Brasil, bônus de boas-vindas e promoções não permitidas pela legislação vigente são disponibilizados aos apostadores, assim como métodos de pagamento não autorizados em sites de apostas, como cartões de crédito e criptomoedas. Elas também atuam sem ferramentas de proteção ao usuário, oferecem jogos sem garantia de aleatoriedade nos resultados e costumam ter processos de cadastro facilitados, ampliando os riscos associados a fraudes e outros crimes.
Apostas ilegais e publicidade digital
O estudo indicou que a maior atração de novos usuários às plataformas clandestinas ocorre por meio de publicidade digital. Segundo a LCA, o impacto é significativo, uma vez que as divulgações no ambiente virtual são propagadas com maior rapidez.
SPA avança em medidas de proteção
No levantamento, a LCA reconheceu a atuação da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF) no aperfeiçoamento dos instrumentos de proteção ao jogador, conforme a Agenda Regulatória 2025-2026 do órgão.
Entre as ações já concluídas, o estudo apontou a implementação da ferramenta de autoexclusão centralizada, a coordenação federativa por meio da criação da instância permanente de cooperação entre a União, os estados e o Distrito Federal e o selo para operadores licenciados.
As medidas com foco na saúde ainda estão em andamento, incluindo ações de acolhimento, saúde mental, jogo responsável e prevenção de danos, além da regulamentação de fornecedores B2B, com o objetivo de reduzir o acesso do mercado ilegal às infraestruturas de operação.
O estudo afirmou que o combate às práticas ilegais depende da fiscalização e da capacidade de direcionar os usuários ao mercado regulado e destacou que a proibição da atividade não resolveria o problema, apenas encaminharia os jogadores para plataformas não licenciadas.
IBJR destaca avanço do mercado regulado

Carlos Lima, presidente executivo do IBJR, comentou o estudo da LCA: “Os números mostram que a regulamentação e as medidas adotadas pelo Governo Federal no combate às plataformas ilegais começam a produzir resultados concretos. A redução observada é um sinal positivo da consolidação do mercado regulado brasileiro”.
E acrescentou: “O desafio agora é dar continuidade a esse avanço, fortalecendo o combate aos operadores clandestinos e garantindo que a evolução regulatória ocorra com segurança jurídica e previsibilidade, evitando que novas medidas aplicáveis exclusivamente aos operadores autorizados criem assimetrias que tornem o mercado ilegal mais atrativo para os consumidores e acabem direcionando a apostadores para plataformas clandestinas”.
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