Emissoras de TV se preocupam com queda na arrecadação e demissões diante de eventual proibição das apostas online

Executivo sentado em frente ao computador com cara de pensativo e preocupado
Crédito: Shutterstock

Emissoras de TV estariam com receio de impactos financeiros e possíveis demissões no setor esportivo diante de eventual proibição das apostas no Brasil. Empresas do setor teriam notificado emissoras parceiras de que os contratos poderão ser rescindidos caso novas restrições ao mercado sejam implementadas. Segundo a Folha de S. Paulo, a possibilidade de cobrança de multa estaria sendo analisada em caso de encerramento antecipado dos contratos.

Globo, ESPN, TNT Sports e CazéTV têm contratos publicitários com casas de apostas. A Band, por sua vez, comercializou os naming rights de seus programas esportivos para operadores.

Um estudo da Tunad apontou que, em 2025, foram investidos R$ 400 milhões em publicidade nas transmissões esportivas brasileiras por parte de operadores. Além disso, apenas em agosto de 2026, mais de R$ 150 milhões foram direcionados a intervalos comerciais e cotas de patrocínio. Em caso de proibição das apostas, o montante poderia ser reduzido significativamente. Executivos informaram à coluna que, diante desse cenário, demissões poderiam ser realizadas.

A Globo possui, ainda, cota exclusiva para empresas de apostas nas transmissões da Copa do Brasil e do Brasileirão, além de estar negociando o pacote de transmissões do próximo ano com uma empresa do setor, segundo o portal.

A movimentação ocorre em meio às discussões sobre novas medidas para restringir as apostas no Brasil. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei que cria crimes específicos para a exploração e a operação de apostas no Brasil. A proposta prevê penas de quatro a seis anos de reclusão, além de multa, e também alcançaria pessoas que divulgarem ou fizerem publicidade de apostas. O SBC Notícias Brasil teve acesso à minuta do projeto e confirmou sua veracidade com fontes ligadas ao setor regulado.

Recentemente, em entrevista ao podcast Desce a Letra, o presidente afirmou ter “disposição pessoal” para acabar com o jogo e comparou os efeitos das apostas aos do crack, mencionando casos de endividamento entre apostadores.


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