Em Brasília, o Fórum de Provedores de Pagamento da IBIA (International Betting Integrity Association) se reuniu com a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA-MF) para debater formas de impedir a proliferação de operações ilegais no Brasil de métodos de pagamento.
Representado por Ari Celia (Pay4Fun) e Marcelo Bueno M. Carneiro (Z.ro Bank), o Fórum defendeu ações coordenadas com o governo e sugeriu a realização de workshops conjuntos, alinhamento nas ações de fiscalização e intercâmbio de informações entre os diferentes agentes do ecossistema de apostas.
O recém-lançado Fórum da IBIA conta com seis provedores de pagamento — Bazk, Z.ro Bank, OneKey Payments, OKTO, VPag e Pay4Fun — com o propósito de blindar o setor contra fraudes financeiras e manipulação de resultados. Durante o encontro, segundo informações da associação, o Fórum apresentou o trabalho das instituições no bloqueio de meios de pagamento para empresas não autorizadas a atuar no Brasil.
A associação projeta que seus membros sejam responsáveis por mais de 70% da receita bruta de apostas remotas no país até 2028, segundo estimativas da H2 Gambling Capital.
Além da IBIA: como bancos têm lidado com o mercado de apostas
Bancos como Bradesco, C6 Bank e Nubank implementaram medidas que vão desde mensagens de alerta em transações via Pix até o bloqueio de cartões em plataformas de apostas. A justificativa, segundo os bancos, é oferecer mais segurança financeira aos clientes.
“O objetivo é oferecer ferramentas que ajudem os clientes a gerenciar seus recursos”, afirmou o Bradesco, que passou a emitir avisos preventivos em operações de pagamento a sites de apostas, alertando para os riscos de perda total do valor investido.
O C6 Bank, por sua vez, adotou uma política de bloqueio automático de transações acima do limite da conta para clientes negativados. Já o Nubank, desde janeiro, envia notificações questionando se o cliente deseja realmente seguir com a transferência, reforçando que nem todas as apostas garantem retorno financeiro.
“O comportamento do Bradesco e do Nubank mostra um tratamento desigual a um setor legítimo da economia do país”, argumentou, na época, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL).
O Ministério da Fazenda já arrecadou mais de R$ 30 milhões em taxas de fiscalização pagas por casas de apostas online entre janeiro e abril de 2025. Segundo o portal Metrópoles, abril foi o mês de maior arrecadação, com R$ 9,3 milhões – um aumento de 36% em relação a janeiro (R$ 6,8 milhões). A receita mensal cresceu de forma contínua: R$ 7,1 milhões em fevereiro e R$ 7,3 milhões em março.
Pagamento como pilar estratégico
Durante o Payment Expert Summit realizado em Lisboa em 2024, especialistas apontaram os métodos de pagamento unificados como tendência nos mercados emergentes, incluindo o Brasil.
O CEO do Z.ro Bank, Edision Pereira Neto, revelou que a fintech perto de permitir apostas via WhatsApp, com suporte de reconhecimento facial e validação automática de dados cadastrais. A ideia é encurtar o caminho entre o desejo de apostar e a finalização do pagamento, garantindo segurança e conformidade.
Para empresas como OKTO, XDA.io e Kaizen Gaming, que participaram dos debates em Lisboa, a chave está na integração de métodos locais, como o Pix, e no desenvolvimento de soluções que combinem conveniência, compliance e proteção ao consumidor.
“O sucesso de um mercado emergente está em saber equilibrar inovação e regulação, atendendo ao perfil dos usuários e combatendo práticas ilícitas com inteligência e cooperação”, concluiu Galina Bineva, diretora comercial da OKTO.
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