Novo estudo da LCA estima mercado ilegal de apostas em até R$ 43 bilhões por ano

Sinal de alerta.
Crédito: Shutterstock

O mercado ilegal de apostas no Brasil pode gerar entre R$ 32,9 bilhões e R$ 43,3 bilhões em receitas por ano, segundo a parte dois do estudo “Fora do Radar 2.0 – Dimensionamento e combate do mercado ilegal de apostas”, elaborado pela LCA Consultoria Econômica a pedido do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). O material foi enviado ao SBC Notícias Brasil nesta quinta-feira, 24, e pode ser baixado no final da matéria.

O levantamento também estima que a atuação de operadores não autorizados representa uma arrecadação potencial não recolhida de R$ 9,1 bilhões a R$ 12 bilhões anualmente.

A parte dois complementa o estudo apresentado em agosto, que estimou que operadores ilegais representam entre 38% e 44% do mercado brasileiro de apostas de quota fixa. O intervalo já havia mostrado uma redução em relação aos 41% a 51% estimados em 2025. A primeira parte também traçou o perfil dos usuários de plataformas clandestinas e analisou práticas utilizadas por esses sites para atrair apostadores.

A diferença é que, agora, a LCA traduziu essa participação em valores financeiros e fiscais, utilizando dados de arrecadação da Receita Federal e a mesma faixa de participação do mercado ilegal calculada no levantamento anterior. O estudo foi divulgado em meio a reportagens de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai proibir as apostas esportivas e cassinos online por meio de uma medida provisória (MP).

LCA estima GGR de R$ 54 bilhões para o mercado regulado de apostas em 2026

O governo arrecadou R$ 8,7 bilhões com as apostas entre janeiro e julho de 2026. Aplicando uma carga efetiva estimada de 27,6%, a consultoria calculou um mercado legal de R$ 31,6 bilhões no período.

Na anualização desses números, a receita do mercado regulado chegaria a R$ 54,3 bilhões, o que representa um aumento de 46,8% em relação ao ano anterior. A metodologia pressupõe que o resultado registrado nos primeiros sete meses se repita proporcionalmente ao longo do restante do ano.

Ao aplicar a participação estimada de 38% a 44% do mercado clandestino, a LCA calcula que operadores ilegais tenham movimentado entre R$ 19,2 bilhões e R$ 24,9 bilhões entre janeiro e julho de 2026. Em termos anualizados, o valor sobe para entre R$ 32,9 bilhões e R$ 43,3 bilhões.

Somados os segmentos legal e ilegal, o mercado brasileiro de apostas deve ter um Gross Gaming Revenue (GGR, receita bruta de jogos) de R$ 87 bilhões e R$ 98 bilhões em 2026, segundo a LCA.

Ilegalidade pode representar até R$ 12 bilhões em tributos não recolhidos

A LCA também calculou o impacto fiscal associado ao mercado ilegal. Considerando a mesma carga tributária efetiva de 27,6%, a consultoria estima entre R$ 9,1 bilhões e R$ 12 bilhões em arrecadação potencial não recolhida por ano.

O cálculo não inclui a taxa de fiscalização incidente sobre operadores de apostas nem eventual recolhimento de Imposto de Renda sobre ganhos dos apostadores.

Em outro exercício, o estudo aponta que uma transferência de cinco pontos percentuais do mercado ilegal para operadores autorizados poderia representar entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,3 bilhão em arrecadação adicional anual.

A consultoria alerta que aumentos da carga tributária sobre o setor regulado podem ter efeito contrário ao pretendido caso ampliem o diferencial competitivo entre empresas autorizadas e plataformas clandestinas, reduzindo a canalização e, consequentemente, a arrecadação potencial.

Copa do Mundo aumenta preocupação com mercado clandestino

A segunda parte do “Fora do Radar 2.0” também incorpora dados sobre o comportamento dos apostadores durante a Copa do Mundo de 2026. Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva usada pela LCA, 61% dos apostadores declaravam intenção de apostar mais durante o torneio — 26% “muito mais” e 35% “um pouco mais” do que em outros períodos do último ano.

Para a consultoria, grandes eventos esportivos como a Copa do Mundo provocam um aumento temporário da demanda por apostas e ampliam simultaneamente a disputa entre operadores legais e ilegais. O estudo defende maior monitoramento de publicidade, meios de pagamento e oferta de plataformas não autorizadas durante e após competições de grande porte.



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