Em meio a supostas tensões internas no IBJR, presidente da ANJL defende união e diálogo no setor regulado de apostas

Pessoas colocando a mão uma sob a outra, simbolizando união.
Crédito: Shutterstock

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), uma das primeiras entidades a representar o mercado de apostas no Brasil, estaria enfrentando “um clima de insatisfação entre integrantes” diante da “postura passiva” do atual presidente, Carlos Lima. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, as informações foram relatadas por cinco pessoas ligadas à indústria.

Carlos Lima, IBJR.

Após os recentes posicionamentos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contrários ao mercado regulado de apostas, a ausência de manifestações públicas do IBJR tem sido apontada pela reportagem como um indicativo do “momento de crise” vivido pela entidade.

De acordo com a apuração, as tensões internas teriam gerado discussões sobre possível segregação no instituto, incluindo conversas de associados para migrar para outras entidades ou articular novos grupos de representação.

Procurado pelo SBC Notícias Brasil, o IBJR manteve o mesmo posicionamento enviado à Folha de S. Paulo: “O IBJR desconhece qualquer iniciativa de criação de uma nova entidade e não comenta opiniões isoladas. A entidade segue trabalhando para fortalecer a regulamentação do setor”.

Como a reportagem da Folha de S. Paulo também especulou a possibilidade de empresas migrarem do IBJR para a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), o SBC Notícias Brasil ouviu Plínio Lemos Jorge, presidente da entidade. Segundo ele, o cenário atual exige maior união entre as entidades do setor. 

Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJL
Plínio Lemos Jorge. Crédito: ANJL.

“O IBJR é uma associação de extrema importância para o setor, principalmente neste cenário atual de muitos desafios regulatórios. O Instituto tem participado ativamente das discussões em torno do aprimoramento e da proteção do setor e contribuído de forma ímpar para que as necessidades do nosso mercado entrem nas pautas de prioridades dos órgãos fiscalizadores e regulatórios”, disse o executivo, em exclusividade para o SBC Notícias Brasil.

Ele acrescentou: “A ANJL não foi procurada por nenhuma das empresas associadas do IBJR. Entendemos que este é, mais do que nunca, um momento que exige união e diálogo em defesa da segurança jurídica de uma atividade econômica regulada pelo governo federal e que tem sofrido ataques sem qualquer embasamento técnico e com viés puramente político”.

Peso institucional do IBJR no mercado regulado

Banner/logo do IBJR.
Crédito: IBJR

O IBJR, assim como a ANJL, foi criado antes da regulamentação das apostas no Brasil. As duas entidades passaram a atuar na discussão sobre a estruturação do mercado regulado, com foco na representação do setor e na contribuição para o desenvolvimento de um ambiente mais seguro e responsável para a atividade.

Atualmente, o instituto reúne entre seus membros importantes operadores do mercado brasileiro, como Betano (Kaizen Gaming), Betsson (Betsson Group), Novibet, KTO e Betnacional (Flutter Brazil), além de empresas associadas que atuam em diferentes áreas do setor, incluindo a Better Collective, OKTO e Clever Advertising

De acordo com a Folha de S.Paulo, Lima assumiu o cargo de presidente do IBJR em busca de suprir a demanda por uma liderança independente. No entanto, o seu estilo conciliador e a ausência de bagagem prévia no mercado de apostas passaram a ser questionados internamente, segundo o jornal.

A apuração indicou, ainda, que o ex-presidente André Gelfi, membro do quadro de diretores do IBJR e Managing Partner Brazil do Betsson Group, estaria atuando nos bastidores para assessorar a gestão e conter os riscos de fragmentação interna.

Repercussão no setor: críticas à exposição x cobranças por união

A reportagem da Folha de S. Paulo surpreendeu representantes do setor de apostas e jogos, especialmente por conta do momento turbulento do país. Lula está prestes a enviar uma medida provisória (MP) ao Congresso Nacional, e especula-se que ele pode até mesmo banir cassinos online ou proibir totalmente qualquer tipo de aposta no ambiente digital, incluindo a esportiva.

Enquanto alguns executivos destacaram a importância do IBJR se manifestar com mais firmeza em defesa da atividade, outros classificaram o vazamento das tensões como um ato inconsequente vindo do próprio segmento, que apenas enfraquece quem está na linha de frente em um momento decisivo.

A exposição pública das divergências gerou constrangimento entre executivos, que lamentam ver a indústria exposta por erros e desavenças do próprio ecossistema. Ainda assim, há quem reconheça que as críticas expostas correspondem à realidade e refletem marcas antigas de desunião.

Para parte do mercado, o sentimento é de que o momento atual exige maturidade e recolhimento para estancar as crises, e não a acentuação dos conflitos internos.


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