Ministério da Justiça investiga ações publicitárias de apostas em transmissões da CazéTV

Estátua da Justiça.
Crédito: Shutterstock

O Ministério da Justiça abriu uma apuração preliminar para investigar possíveis irregularidades em ações publicitárias de apostas exibidas durante as transmissões da Copa do Mundo 2026 na CazéTV, plataforma da Live Mode no YouTube que está transmitindo todas as partidas do Mundial para o Brasil.

A informação foi revelada pelo Valor Econômico nesta quinta-feira, 25. O jornal teve acesso ao despacho assinado por Daniel Amaral Nunes Carnaúba, diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor.

A investigação busca verificar se as propagandas veiculadas durante os jogos podem ter violado o Código de Defesa do Consumidor e regras aplicáveis à comunicação comercial de apostas de quota fixa. Segundo o Valor, o despacho menciona três episódios que levantaram suspeitas de práticas abusivas.

Por que a CazéTV está sendo investigada

Entre os pontos citados está uma ação publicitária, estrelada por Galvão Bueno, embaixador da Betnacional, que relacionava a paixão do brasileiro pelo futebol à prática de apostar e oferecia um QR code que levava os espectadores até a Betnacional. Essa ação ocorreu entre Inglaterra e Gana, na segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo.

Para o Ministério da Justiça, esse tipo de mensagem pode exigir análise mais aprofundada por associar apostas a elementos como pertencimento, identidade cultural e emoção esportiva.

O despacho também aponta a necessidade de verificar se houve estímulo à aposta imediata, divulgação de promoções ligadas a partidas específicas e eventual incompatibilidade das ações com princípios de jogo responsável, transparência e informação adequada ao consumidor. Durante a partida entre Argentina e Áustria, pela segunda rodada da Copa, a equipe da CazéTV reforçou que uma odd da Betnacional era atrativa.

O terceiro episódio citado pelo Valor ocorreu entre o Uruguai e Cabo Verde, na segunda rodada, quando uma publicidade da KTO associou a paixão pelo esporte ao ato de apostar.

A partir desses elementos, o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor pretende avaliar se houve separação adequada entre conteúdo editorial e publicidade. A análise também deve verificar se o espectador conseguia identificar, de forma clara, que determinadas falas ou ações faziam parte de comunicação comercial voltada à promoção de apostas.

A CazéTV tem sido alvo de críticas, especialmente nas redes sociais, desde o início das transmissões da Copa do Mundo por conta da presença de publicidade de apostas esportivas em sua programação no YouTube.

Procurada pelo Valor Econômico, a CazéTV afirmou que não havia sido informada sobre a investigação.

Investigação vem após iniciativa de Erika Hilton

Crédito: Lula Marques / Agência Brasil

Na terça-feira, 23, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou o Ministério Público Federal (MPF) para barrar a publicidade de apostas durante as transmissões da Copa do Mundo, mas não citou a CazéTV em nenhum momento.

Mesmo assim, a emissora se posicionou, segundo a Folha de S. Paulo.

“Nossas ativações comerciais seguem rigorosamente a legislação brasileira vigente, as diretrizes do Conar [Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária] e as boas práticas do setor, e trabalhamos exclusivamente com operadoras regularizadas pelo Ministério da Fazenda”, afirmou a CazéTV.


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