O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fez duras críticas às apostas de quota fixa e afirmou que a atividade se tornou um problema de saúde no Brasil.
As declarações foram feitas na segunda-feira, 17, durante uma sabatina promovida pelo Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp).
Ao abordar o tema, Tarcísio comparou os desafios relacionados às apostas ao combate ao tabagismo. Segundo o governador, o poder público conseguiu reduzir o consumo de tabaco ao longo dos anos, mas poderá enfrentar dificuldades ainda maiores diante do crescimento das plataformas de apostas.
“Será que nós vamos conseguir ser efetivos para livrar as pessoas das bets? […] Talvez os desafios agora sejam maiores do que eram os desafios do tabaco”, analisou Tarcísio.
Na sequência, Tarcísio elevou o tom das críticas e declarou: “Ou o Brasil acaba com as bets, ou as bets acabam com o Brasil”.

O governador também afirmou que entre 20% e 25% da renda dos brasileiros estaria comprometida com apostas e relacionou a atividade a problemas de produtividade, citando empresas que estariam investindo em terapia para funcionários. Tarcísio, no entanto, não detalhou a origem dos percentuais mencionados.
Apesar das críticas à atividade, Tarcísio não apresentou uma proposta específica para restringir ou proibir as apostas online no país. A principal medida citada pelo governador foi a criação de um programa de saúde mental “acessível” no estado caso seja reeleito.
Segundo várias pesquisas eleitorais, Tarcísio é o franco favorito para a eleição para governador de São Paulo. Para uma parcela significativa da população brasileira, ele seria um candidato melhor que Flávio Bolsonaro (PL) para concorrer contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas Tarcísio escolheu tentar a reeleição para governador de São Paulo.
O incumbente pode vencer a disputa ainda no primeiro turno, a menos que seu principal adversário, Fernando Haddad (PT), consiga reagir. O Datafolha vai divulgar uma nova pesquisa na sexta-feira, 21.
Lula também defende fim das apostas

As declarações de Tarcísio ocorrem poucos dias depois do presidente Lula voltar a defender publicamente o fim das apostas online no Brasil.
Em entrevista concedida na sexta-feira, 14, ao canal Não Inviabilize e ao podcast As Cunhãs, Lula afirmou que o setor deveria deixar de existir caso não consiga demonstrar uma justificativa social para sua continuidade.
“Se ninguém me mostrar uma razão social dessas bets continuarem, nós temos que acabar com elas”, declarou o presidente. Lula também disse ter conhecimento da existência de uma “bancada das bets” no Congresso e afirmou que o governo teria de enfrentar eventuais resistências no Poder Legislativo para avançar sobre o tema.
Na mesma entrevista, Lula afirmou que, se dependesse exclusivamente de sua vontade, as apostas seriam proibidas no Brasil. O presidente relacionou sua posição aos prejuízos financeiros enfrentados por alguns jogadores e ao acesso facilitado às plataformas pela internet, inclusive por crianças e adolescentes.
Um dia antes, durante evento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Lula também havia criticado os gastos com apostas e alertado para o comportamento de continuar jogando na tentativa de recuperar perdas anteriores.
Os posicionamentos de Tarcísio e Lula mostram, mais uma vez, que tanto a esquerda quanto a direita estão se posicionando contra o setor de apostas neste ano eleitoral.
Antes deles, Renan Santos, candidato à presidência pelo Missão, prometeu proibir as apostas caso seja eleito. Também há diversos projetos de lei no Congresso Nacional que visam restringir ou proibir totalmente as apostas no Brasil.
Para Joberto Porto, Chief Legal Officer (CLO) e advogado da CDA Gaming, combater as apostas se tornou a promessa mais barata das eleições de 2026. Você pode ler o artigo completo aqui.
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