Justiça manda AGU detalhar prejuízos atribuídos a operadores de apostas em ação de R$ 1 bilhão

Estátua da Justiça.
Crédito: Shutterstock

A Justiça Federal de Pernambuco determinou que a União apresente mais detalhes sobre os fundamentos adotados para responsabilizar 17 operadores de apostas pelos supostos danos causados ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão, que pode ser lida na íntegra no final desta matéria, foi proferida pelo magistrado Hélio Silvio Ourem Campos, da 6ª Vara Federal de Pernambuco, no processo movido pela Advocacia-Geral da União (AGU).

No despacho assinado na terça-feira, 29, Campos deu até 30 dias para que o governo emende a petição inicial e esclareça, de maneira objetiva, quais problemas de saúde estão incluídos no pedido de ressarcimento, quais despesas públicas pretende recuperar e quais dados serão usados para demonstrar os custos atribuídos às apostas.

A AGU ingressou com ação na Justiça Federal de Pernambuco na segunda-feira, logo após a proibição das apostas de quota fixa no dia 25, e tem como rés as seguintes empresas:

Casa(s) de apostas Empresa responsável
Betano Kaizen Gaming Brasil Ltda.
bet365 HS do Brasil Ltda.
Superbet SPRBT Interactive Brasil Ltda.
Sportingbet Ventmear Brasil S.A.
Esportes da Sorte / Onabet Esportes Gaming Brasil Ltda.
Blaze Foggo Entertainment Ltda.
Betnacional NSX Brasil S.A.
Estrelabet EB Intermediacoes e Jogos S.A.
7K / Cassino Ana Gaming Brasil S.A.
7Games / Betão OIG Gaming Brazil Ltda.
Vaidebet BPX Bets Sports Group Ltda.
H2 Bet H2 Licensed Ltda.
Pixbet Pixbet Soluções Tecnológicas Ltda.
Novibet NVBT Gaming Ltda.
Bullsbet SevenX Gaming Ltda.
Betfair NSX Betfair Brasil S.A.
KTO Apollo Operations Ltda.

Justiça estabelece critérios para calcular responsabilidade dos operadores

Entre os pontos que deverão ser detalhados pela AGU está a aplicação da chamada Fração Atribuível Populacional (FAP), metodologia que a União pretende utilizar para calcular a parcela dos gastos de saúde que poderia ser associada às apostas.

O governo também terá de explicar os parâmetros epidemiológicos e temporais empregados nessa conta e definir critérios objetivos para individualizar a responsabilidade de cada empresa. A petição inicial prevê a possibilidade de usar a participação de mercado de cada operadora ou, subsidiariamente, aplicar responsabilidade solidária. 

Campos também pediu que a União esclareça se o ressarcimento abrangeria somente despesas que pertencem diretamente ao Governo Federal ou se a ação abrangeria recursos federais destinados a ações executadas por estados e municípios no âmbito do SUS.

Outro trecho do despacho determina que a AGU corrija uma eventual referência a “doenças atribuíveis ao cigarro” presente na petição inicial e informe ao juízo se a menção foi apenas um erro material. É provável que o governo tenha estruturado esta ação contra os operadores de apostas com base no modelo que a AGU usou para processar a indústria do tabaco em 2019.

Entenda a ação movida pela AGU na Justiça Federal de Pernambuco

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A ação busca o ressarcimento dos gastos da União com serviços, tratamentos e políticas públicas relacionados a problemas de saúde associados às apostas nos cinco anos anteriores ao processo, além das despesas futuras enquanto os supostos danos persistirem.

A AGU também pede a condenação das empresas ao pagamento de pelo menos R$ 1 bilhão por danos morais coletivos e à restituição em dobro dos valores apostados por pessoas diagnosticadas com ludopatia em determinadas circunstâncias descritas na ação.

Segundo os argumentos apresentados pela União e reproduzidos no despacho, a expansão das apostas online estaria relacionada a transtornos associados ao jogo, ansiedade, depressão, endividamento e comportamento suicida, com impacto sobre a demanda por serviços públicos de saúde. A AGU sustenta que características das plataformas e ações de publicidade poderiam ampliar os riscos entre consumidores vulneráveis.

Por enquanto, o juiz não analisou o pedido de liminar apresentado pela União. Após a AGU prestar os esclarecimentos e apresentar a emenda à petição inicial, o processo voltará para análise da Justiça Federal de Pernambuco.

Além de processar os operadores, o governo também já declarou que não vai ressarcir o valor de R$ 30 milhões que cada operadora autorizada pagou para obter a licença federal.

Em contrapartida, o setor regulado de apostas espera que o Supremo Tribunal Federal (STF) cancele, integralmente ou parcialmente, a medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).



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