Segundo dados do Ministério da Fazenda, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) pela Folha de S. Paulo, os brasileiros depositaram cerca de R$ 220,6 bilhões em casas de apostas online em 2025. O valor ficou cerca de R$ 130 bilhões abaixo da estimativa do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), de aproximadamente R$ 350 bilhões.
Do total de R$ 220,6 bilhões, cerca de R$ 36,9 bilhões foram convertidos em receitas para as plataformas. A quantia representa o saldo negativo acumulado pelos usuários. Na estimativa do Comsefaz, o prejuízo das famílias brasileiras chegava a R$ 62,5 bilhões. Enquanto isso, aproximadamente R$ 183,7 bilhões foram distribuídos em prêmios e bônus sacáveis aos jogadores.

Para a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), as divergências observadas entre os valores do governo e a estimativa do Comsefaz podem estar associadas ao mercado ilegal. A entidade reforçou a importância de separar as empresas licenciadas daquelas que operam sem autorização no país.
A dimensão do segmento não regulado também foi analisada recentemente pela LCA Consultores. O estudo apontou queda na participação de empresas ilegais de apostas no Brasil, de 41% a 51%, em junho de 2025, para 38% a 44% entre janeiro e junho de 2026. Apesar da redução, operadores clandestinos ainda representam parcela relevante do mercado brasileiro.
A Folha de S. Paulo destacou que os dados foram disponibilizados em caráter preliminar. Daniele Correa Cardoso, secretária de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, afirmou que os valores podem sofrer alterações até a conclusão da apuração dos dados.
Receita e margem de lucro de operadores
Além disso, segundo a Folha de S. Paulo, a receita das empresas de apostas licenciadas no Brasil representou 16,7% dos depósitos. O valor ultrapassou o limite previsto em lei, de 15%, e a taxa anunciada pelo setor, de 7%. Para o jornal, os dados reforçam a tendência de ganho das apostas sobre os usuários no longo prazo.
Outro ponto destacado pela Folha foram as regras de distribuição do faturamento dos operadores: 88% permanece com as empresas e 12% é direcionado à União e outras entidades beneficiadas. Esse percentual está previsto para atingir 15% em 2028, de maneira progressiva.
As empresas também precisam arcar com os impostos federais, estaduais e municipais. Segundo levantamento feito pelo jornal paulista, com base nos dados da Blaze, os números indicam margem de lucro de aproximadamente 30%. A fatia é comparável à de um banco de investimentos, como o BTG Pactual.
Os depósitos em casas de apostas registrados pelo Ministério da Fazenda representam 63% do volume adicional de transações via Pix no setor de entretenimento. A parcela restante, de 37%, não seria explicada pelo crescimento orgânico das atividades culturais e esportivas, conforme a análise do portal.
Brasil registra média de 9,25 milhões de apostadores por mês
A Folha de S. Paulo também analisou o número mensal de apostadores em 2025. Em outubro, o total chegou a 10,82 milhões, o maior número registrado no ano.
O período coincidiu com a fase final do Campeonato Brasileiro e as etapas decisivas das competições continentais, como a Copa Sul-Americana e a Libertadores. Janeiro registrou o menor número de apostadores, com 7,2 milhões. Ao longo de 2025, o total chegou a 25 milhões de apostadores, com média mensal de 9,25 milhões.
Quer ouvir mais histórias como esta? Confira o novo canal da SBC Media no YouTube, o novo espaço dedicado a tudo relacionado à multimídia na SBC, onde nossa equipe explora em detalhes as principais notícias dos setores de apostas esportivas, iGaming, afiliados e pagamentos.
Receba um resumo com as principais notícias sobre o mercado de jogos online e de apostas esportivas no Brasil através do link. A newsletter é enviada toda segunda, terça e quinta-feira, sempre às 17 horas.












