Proibição das apostas online no Brasil provoca demissões em massa no setor

Pessoa perde o emprego após a proibição das apostas.
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A proibição das apostas de quota fixa no Brasil já provocou rodadas de demissões em pelo menos 36 das 188 marcas que tinham licença federal para atuar no mercado regulado. O dado consta de um levantamento da Associação de Mulheres da Indústria do Gaming (AMIG) obtido pela Folha de S.Paulo.

Os cortes registrados até o momento concentram-se principalmente em empresas de pequeno e médio porte. A Folha de S. Paulo também ouviu executivos que avaliam que operadores com menor disponibilidade de caixa podem encerrar definitivamente suas atividades caso a suspensão se prolongue.

O H2Bet, casa de apostas do Grupo H2, demitiu mais de 170 dos seus 270 funcionários, o que representa um corte de aproximadamente 63%. Diogo Breda de Carvalho, gerente de Operações da empresa, culpou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu Instagram.

“Hoje é, seguramente, o pior dia da minha vida de empreendedor, há 20 anos empreendendo nessa selva chamada Brasil. Mais de 170 pessoas foram comunicadas de que perderam seus trabalhos simplesmente porque Lula decidiu que o trabalho delas não existiria mais”, lamentou Carvalho.

Embora o Grupo H2 tenha efetuado cortes no H2bet, a empresa deve manter suas atividades ligadas ao H2 Club e ao patrocínio de competições de poker, apurou a Folha de S. Paulo.

Rivalo, Rei do Pitaco e Ana Gaming também registram cortes

A Rivalo, conhecida por patrocinar clubes do futebol paulista, dispensou quase toda a sua equipe, que tinha aproximadamente 100 funcionários, de acordo com ex-colaboradores entrevistados pela Folha de S. Paulo.

Daniel Eskinazi, diretor da Rivalo no Brasil, atribuiu as demissões à Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026.

“A empresa mantém colaboradores para uma possível retomada das operações, caso o mercado retorne à regulamentação”, afirmou Eskinazi ao jornal.

Já o Rei do Pitaco afastou mais da metade de uma equipe de cerca de 100 pessoas, segundo a reportagem. Foram 40 demissões, enquanto outros 30 funcionários receberam férias coletivas.

A Ana Gaming, responsável pelas marcas 7K, Cassino e Vera, também realizou desligamentos, sem revelar o número de funcionários atingidos.

“Encerrar operações por determinação legal compromete as condições que sustentam postos de trabalho e contratos. Mesmo uma eventual reversão da medida não elimina os danos já provocados”, declarou a empresa à Folha.

Segundo estimativas da AMIG, compartilhadas com o SBC Notícias Brasil, 3.600 empregos diretos foram perdidos.

Impacto da proibição das apostas alcança fornecedores do setor

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Os efeitos também começaram a atingir empresas que prestavam serviços aos operadores de apostas. A Alob Sports, que trabalha com eventos, influenciadores e live marketing e tinha a Betano entre seus clientes, fez demissões após a suspensão do mercado.

Bernardo Pontes, sócio-fundador da empresa, afirmou à Folha de S. Paulo que os impactos se espalham pela cadeia de fornecedores.

“É um efeito em cascata. As empresas de cenografia, de segurança, de promotores de eventos e de brindes que a gente contratava também foram impactadas.”

A portuguesa Hoopers, que atua no Brasil desde 2023, teve dois contratos suspensos, outros projetos paralisados e reuniões canceladas após a proibição. 

Segundo o levantamento da AMIG, cerca de 2 mil empregos indiretos na cadeia de fornecedores foram perdidos.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) informou à Folha de S. Paulo que pediu às empresas do setor que preencham um formulário para dimensionar os desligamentos. A entidade afirmou que ainda não é possível calcular o total de pessoas atingidas.

Por outro lado, grupos estrangeiros com maior porte financeiro, como a Betano, estariam preservando suas equipes enquanto aguardam os próximos desdobramentos jurídicos. O setor regulado e clubes de futebol tentam derrubar, ao menos parcialmente, a medida provisória no Supremo Tribunal Federal (STF) enquanto o Congresso Nacional não começa a analisar a MP.

Nota do editor

O SBC Notícias Brasil mantém contato com a ANJL e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), as duas maiores entidades do setor regulado, e já solicitou um tracking das demissões na indústria.

Nós entendemos que é imprescindível que o setor de apostas divulgue os números de demissões após a proibição, para termos uma dimensão completa do impacto da medida provisória. A divulgação do número de desligamentos serviria, inclusive, para rebater o argumento de que a indústria de apostas não empregava muitos funcionários no Brasil.


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