Fernando Haddad dispara contra setor regulado de apostas: “Não contribui em nada para a economia brasileira”

Fernando Haddad (PT) discursa no Senado.
Crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) criticou o mercado de apostas de quota fixa e defendeu que o futuro do setor regulado no Brasil seja discutido com a sociedade. As declarações foram dadas na noite de segunda-feira, 31, durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

Atual candidato do PT ao governo de São Paulo e segundo colocado nas pesquisas, atrás do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Haddad afirmou que o setor não traz benefícios econômicos ou sociais relevantes ao país.

“É um setor que não contribui em nada para a economia brasileira”, afirmou Haddad, que também questionou a contribuição das apostas para o entretenimento e o bem-estar da população. O ex-ministro também argumentou que o setor de apostas gera pouquíssimos empregos diretos.

Em 2025, o Brasil arrecadou R$ 9,95 bilhões com apostas online e está previsto para arrecadar R$ 16 bilhões em 2026. O dinheiro arrecadado pela Receita Federal serve para financiar políticas públicas no esporte, na segurança pública e na saúde, entre outros.

A declaração de Haddad vai ao encontro da fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), semanas atrás, na qual afirmou que se ninguém provar qual a razão social para casas de apostas existirem, o governo tem que fechá-las.

Apesar de Lula e o PT serem bastante críticos às apostas, outros candidatos à presidência da República, como Romeu Zema (NOVO) e Renan Santos (Missão), também defenderam a proibição.

Haddad defende consulta sobre futuro das apostas

Durante a entrevista, Haddad defendeu que o país discuta o futuro do mercado de apostas com participação da sociedade civil, do Congresso Nacional e de especialistas.

Para o ex-ministro, o tema deve ser objeto de uma consulta ou diálogo mais amplo com a população após as eleições de 2026.

Haddad também argumentou que a expansão das plataformas antes da regulamentação criou um ecossistema econômico que passou a envolver diferentes segmentos, incluindo meios de comunicação, clubes de futebol e atores políticos.

Apesar das críticas ao setor, curiosamente, Haddad defendeu no Roda Viva as medidas adotadas pelo Governo Federal enquanto esteve à frente do Ministério da Fazenda entre janeiro de 2023 e março de 2026. Segundo ele, regulamentar a atividade permitiu ao Estado começar a arrecadar tributos e ampliar o combate às plataformas que operam irregularmente no país.

A Secretaria de Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já derrubaram mais de 60 mil plataformas ilegais de apostas, o que mostra que o país tem um problema sério com operadores clandestinos e que só pioraria se a atividade fosse banida.


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