Copa do Mundo de Clubes deixa legado para o futebol brasileiro?

Imagem da torcida do Palmeiras na Copa do Mundo de Clubes
Crédito: Shutterstock

Quando a Copa do Mundo de Clubes foi anunciada, a expectativa era de que os clubes brasileiros fossem coadjuvantes no torneio. A grande disparidade financeira entre América do Sul e Europa e o histórico recente em mundiais (desde 2012 um clube sul-americano não vencia um europeu) apontavam um grande favoritismo para os clubes do velho continente.

No entanto, quando a bola rolou nos Estados Unidos, tudo mudou. Palmeiras, Flamengo, Fluminense e Botafogo mostraram sua força, garantindo vaga nas oitavas de final. Os brasileiros não apenas se classificaram, como protagonizaram algumas das maiores surpresas da competição.

O Botafogo de Renato Paiva superou o poderoso PSG, campeão francês e da UEFA Champions League. O Flamengo mostrou seu poder de reação e venceu, de virada, o endinheirado Chelsea, atual campeão da UEFA Conference League. Palmeiras e Fluminense seguraram empates contra Porto e Borussia Dortmund respectivamente.

O que justifica o ótimo desempenho brasileiro na competição?

Nos últimos dez a quinze anos, alguns clubes do futebol brasileiro, como Palmeiras e Flamengo, passaram a se estruturar melhor, profissionalizando o clube e sanando dívidas. Com isso, os dois clubes passaram a dominar o cenário sul-americano. De 2019 para cá, cada um deles conquistou duas Libertadores e dois Campeonatos Brasileiros.

A aprovação da Lei das Sociedades Anônimas do Futebol (SAF) também teve um impacto positivo em clubes do país. O Botafogo, por exemplo, foi adquirido em 2021 pelo Grupo Eagle, que tem como presidente John Textor. Desde então, o americano investiu pesado em contratações, levando o time da Série B aos títulos da Libertadores e Brasileirão de 2024.

Outro fator que tem de ser citado é o momento em que a competição está sendo realizada. Dessa vez, o Mundial de Clubes está acontecendo entre junho e julho – logo após o fim da temporada europeia. Isso traz uma vantagem competitiva aos clubes brasileiros, que ainda estão no meio da sua temporada. 

Vale ressaltar que antigamente a vantagem era dos europeus, que enfrentavam os latino-americanos em dezembro – logo após o fim da nossa temporada.

Copa do Mundo de Clubes é sucesso de público no Brasil

O ótimo desempenho dos brasileiros no torneio tem ajudado a Rede Globo – detentora dos direitos de transmissão – a bater recordes de audiência. O duelo entre Palmeiras e Inter Miami, válido pela terceira rodada, registrou 20 pontos de audiência em São Paulo.

Somando TV aberta e TV fechada, a competição alcançou mais de 114 milhões de pessoas apenas na fase de grupos. O SporTV, canal de TV a cabo destinado à programação esportiva, registrou no domingo, 15, sua melhor audiência diária no ano. O canal foi líder de audiência em todos os dias de competição, com audiência quatro vezes maior que o segundo colocado.

As maiores audiências do torneio foram, até então, em jogos envolvendo brasileiros. A derrota do Flamengo para o Bayern de Munique por 4 a 2 lidera de maneira isolada com incríveis 42 pontos de audiência no Rio de Janeiro. Já a vitória do Palmeiras sobre o Botafogo registrou média de 21 pontos no país inteiro.

Mercado de apostas sente impacto positivo do torneio

O recém-regulamentado mercado de apostas esportivas também está colhendo os frutos do sucesso do torneio. O SBC Notícias Brasil conversou com alguns operadores para entender de que maneiras o torneio vem impactando suas operações.

Rafael Marchetti Marcondes, Diretor Jurídico do Rei do Pitaco, observou um aumento no volume de apostas durante o torneio, que ele considerou consistente com o comportamento do público brasileiro: “Segundo levantamento da consultoria KPMG divulgado em 2023, o futebol representa aproximadamente 80% do total de apostas feitas no Brasil. Essa predominância se reflete claramente nas grandes competições, quando o engajamento dos usuários tende a crescer, especialmente com a participação de clubes nacionais”.

“O novo formato do Mundial de Clubes da FIFA redefiniu a dinâmica do calendário esportivo global. A participação destacada dos clubes brasileiros em confrontos épicos como Botafogo contra PSG, Flamengo contra Chelsea e Fluminense contra Borussia despertou uma conexão emocional inédita”, afirmou Fellipe Fraga, Diretor de Negócios da EstrelaBet.

“Torcedores passaram a vivenciar uma dupla lealdade, torcendo por seus clubes e também por grandes nomes do futebol mundial. Essa atmosfera de empolgação amplia naturalmente a exposição internacional dos nossos clubes e de seus patrocinadores. Em termos de marketing, visibilidade significa audiência e, onde há audiência, há engajamento, inclusive no ecossistema de apostas esportivas, que segue regras rígidas de integridade e jogo responsável. Esses momentos geram picos de tráfego e apostas em escala global, fortalecendo todo o mercado. É um novo patamar de internacionalização do futebol brasileiro”, finalizou Fraga.

Thomas Carvalhaes, Country Manager da Stake Brasil, apontou que a plataforma está tendo um engajamento “incrível” durante a competição: “Registramos um aumento de 60% nas apostas médias em partidas do Mundial envolvendo equipes brasileiras, em comparação com jogos de grandes torneios locais. No total, 47% da nossa base de usuários fez ao menos uma aposta durante o Mundial”.

Competição pode ser um marco para o futebol brasileiro

Durante o torneio, é possível verificar um aumento de interesse pelo futebol brasileiro. De acordo com levantamento feito pelo Google Trends, o Flamengo foi o terceiro clube mais procurado no mundo durante a competição. Botafogo e Palmeiras aparecem no top-10, na 9ª e 10ª posição respectivamente. 

Com maior exposição no exterior, todo o ecossistema será afetado de maneira positiva, inclusive o setor de apostas. 

“À medida que os clubes brasileiros avançam em uma competição internacional como o Mundial, o interesse do público nacional se mantém elevado, o que impacta diretamente no volume de apostas. Além disso, o bom desempenho dos nossos clubes fortalece a imagem do futebol brasileiro no exterior, contribuindo para a valorização das marcas dos clubes e dos atletas, além de potencializar a audiência internacional. Isso amplia o alcance do mercado de apostas e abre caminho para maior integração com apostadores de outros países”, pontuou Marchetti.

Para Mariana Gomes, Head de Growth da Sportingbet, a competição serviu para retomar o orgulho do futebol brasileiro: “O Super Mundial gerou muita conversa e trouxe o orgulho do nosso futebol de volta. Por algumas semanas, a rivalidade entre os clubes brasileiros foi pausada e vimos um sentimento de união de nós contra eles, de voltar a nos orgulhar e saber do potencial do futebol brasileiro. Isso gera conversa, trás atenção e consequentemente as pessoas querem dar o seu palpite, querem sentir que participam mais ativamente do evento”.

“O nosso papel é garantir que temos as melhores ofertas, apostas atrativas e promoções que tornem esse momento ainda mais divertido. Nas redes sociais, ficamos ativamente entrando e alimentando o assunto, tornando a nossa marca parte da resenha e da comunidade”, finalizou a head de growth da Sportingbet.

Essa internacionalização de marca, se bem aproveitada, pode ser fundamental para popularizar o futebol brasileiro, auxiliando até mesmo na venda de direitos de transmissão para o exterior. Esse é um momento chave para o país, e não pode ser desperdiçado.