Romeu Zema chama apostas online de “câncer” e promete acabar com sites caso seja eleito presidente

Foto de Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais.
Crédito: Shutterstock

Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e candidato à presidência da República pelo NOVO, afirmou nesta terça-feira, 18, que pretende proibir o funcionamento das plataformas de apostas de quota fixa no Brasil caso seja eleito. Segundo ele, essa seria sua primeira medida à frente do Governo Federal.

A declaração foi feita durante uma agenda em São Paulo na qual Zema ouviu mulheres que relataram problemas enfrentados por familiares em decorrência do jogo problemático. Entre os casos mencionados estavam dificuldades financeiras, falta de recursos para alimentação e afastamento do trabalho.

“Depois de escutar aqui esses relatos, eu já decidi que o primeiro ato meu como presidente vai ser acabar com as bets. É uma praga, é um câncer que nós temos hoje dentro do Brasil”, afirmou Zema.

Para Zema, o crescimento do setor de apostas no país é um problema grave. Ele também comparou a ludopatia com dependência química.

“Temos hoje no Brasil um problema seríssimo e me parece que as autoridades fecharam os olhos. [É] um problema tão grave quanto a dependência química, talvez até pior em alguns aspectos”.

Questionado sobre como colocaria a proposta em prática, o candidato disse que pretende suspender o funcionamento das plataformas por meio de um decreto presidencial. Zema também criticou a arrecadação de impostos, argumentando que o governo não deveria obter receitas de uma atividade que, em sua avaliação, prejudica parte da população.

Zema relaciona apostas ao endividamento das famílias

Durante o encontro, Zema relacionou o crescimento das apostas ao endividamento dos brasileiros. Para o candidato, pessoas com dificuldades financeiras podem recorrer aos jogos na tentativa de ganhar dinheiro para quitar dívidas, agravando a situação quando acumulam novas perdas.

Ao ser questionado sobre quais medidas adotaria para auxiliar pessoas que já enfrentam problemas financeiros relacionados às apostas, Zema disse que uma eventual política para esse público seria definida posteriormente e defendeu que a prioridade seria interromper a oferta.

“Se tem alguém fornecendo veneno para a população, primeiro você para de fornecer veneno, depois você vai ver a solução disso”, declarou.

O candidato também vinculou o nível de endividamento à situação econômica do país e afirmou que, se eleito, pretende promover reformas administrativas e previdenciárias, revisar programas sociais, realizar privatizações e reduzir os gastos públicos. Segundo Zema, essas medidas permitiriam reduzir a taxa de juros e melhorar o ambiente econômico para as famílias.

Discurso de Zema se assemelha ao de outros candidatos

Lula, presidente do Brasil, fala com um microfone em mãos.
Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Além de Zema, candidatos como Renan Santos (Missão) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também manifestaram a intenção de proibir casas de apostas.

Segundo o agregador de pesquisas eleitorais do UOL, Lula lidera o primeiro turno com 40,4% de intenção de voto. Santos e Zema estão performando bem abaixo do presidente, com 4,2% e 2,9%, respectivamente.

Embora políticos de todos os espectros estejam criticando as apostas conforme as eleições de 2026 se aproximam, uma pesquisa recente do Ipsos-Ipec e da More in Common Brasil identificou que o tema não deve exercer influência direta sobre o voto da maioria dos brasileiros.

Opinião do SBC Notícias Brasil

Embora estudos recentes atrelem o crescimento do endividamento às apostas, ainda não há dados oficiais que provem essa teoria, já que a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF) ainda não divulgou dados que corroborem esses estudos.

O setor regulado de apostas, inclusive, defende mais transparência nos dados, por entender que está sob ataque de políticos e de setores relevantes da economia, como o varejo.


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