A Quaest divulgou nesta segunda-feira, 28, a primeira pesquisa eleitoral após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciar a Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026, que proíbe as apostas de quota fixa no Brasil. Lula tem 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 34% do senador Flávio Bolsonaro (PL).
O levantamento da Quaest foi encomendado pela Rede Globo, a menos de uma semana da eleição, e não apresenta grandes oscilações. Na rodada anterior, Lula registrava 37%, enquanto Flávio aparecia com 33%. Como a margem de erro geral é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, as variações dos dois candidatos ocorreram dentro desse intervalo.
Os dois concentram a maior parte das intenções de voto, como era de se esperar em uma eleição altamente polarizada como esta. Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) aparecem com 4% cada, seguidos por Renan Santos (Missão), com 3%, e Romeu Zema (Novo), com 1%.
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Outros 5% estão indecisos, enquanto 10% afirmaram que votarão em branco, nulo ou não irão votar.
Já na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Lula registra 31%, ante 27% de Flávio. A Quaest ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre 24 e 27 de setembro. O levantamento tem nível de confiança de 95%.
Embora seja a primeira pesquisa divulgada depois da decisão do governo sobre as apostas, os dados não permitem associar as oscilações diretamente à proibição das apostas online. As entrevistas começaram no dia 24, enquanto o anúncio da proibição ocorreu no início da noite de sexta-feira (25), de modo que apenas parte do trabalho de campo aconteceu depois da medida se tornar pública.
Mesmo diante deste cenário reduzido, 62% dos entrevistados apoiaram a proibição das apostas. Resta ver se a proibição vai ter impacto nas eleições, o que era dado como incerto, segundo pesquisa da More in Common Brasil e do Ipsos-Ipec.
Na semana passada, Flávio Bolsonaro também prometeu proibir cassinos online se for eleito presidente, diante do aumento das críticas de Lula ao setor de apostas.
Quaest: Lula e Flávio empatam em eventual segundo turno
A disputa entre Lula e Flávio aparece numericamente empatada em uma simulação de segundo turno: ambos registram 42%.
Na pesquisa anterior, Flávio já tinha 42%, enquanto Lula marcava 41%. Assim, o presidente oscilou um ponto percentual para cima, novamente dentro da margem de erro de dois pontos. Brancos, nulos e eleitores que afirmam que não votariam somam 13%, e 3% estão indecisos.
Opinião do editor
Diante do número de indecisos e da possibilidade de diversos eleitores migrarem de candidatos como Caiado, Cury, Renan Santos e Zema, é possível que a eleição presidencial seja decidida ainda no primeiro turno. Como estes candidatos estão posicionados à direita, é mais provável que seus eleitores façam um eventual voto útil em Flávio Bolsonaro em vez de Lula.
Lula oscila para cima entre evangélicos

Um dos recortes da Quaest mostra oscilação positiva de Lula entre os eleitores católicos e evangélicos, segmento no qual Flávio Bolsonaro mantém vantagem.
No cenário de primeiro turno, Lula passou de 23% para 27% entre os evangélicos, enquanto Flávio oscilou de 49% para 46%. A margem de erro específica desse grupo é de quatro pontos percentuais. Entre os católicos, Lula foi de 43% para 48%, enquanto Flávio passou de 27% para 29%; nesse segmento, a margem é de três pontos.
A movimentação também aparece na simulação de segundo turno. Entre os evangélicos, Lula foi de 28% para 30%, enquanto Flávio passou de 58% para 54%. Entre os católicos, o presidente oscilou de 46% para 50%, e o candidato do PL permaneceu com 37%.
A pesquisa foi realizada em meio à repercussão eleitoral de uma controvérsia envolvendo a Nossa Senhora Aparecida. Aliados de Lula associaram Flávio Bolsonaro a um projeto arquivado há quase 20 anos que pretendia retirar da santa o título de padroeira do Brasil, tema que ganhou espaço nas redes sociais durante os últimos dias.
O boato preocupa a campanha de Flávio Bolsonaro, que já se posicionou sobre o tema.
“A maior fake news dessa campanha foi essa sobre Nossa Senhora Aparecida, algo que nunca, não existia esse movimento pra tirar ela de ser padroeira do Brasil, jamais existia, não tem projeto, não tem nada. O PT já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com ajuda de gente dentro da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), infelizmente, essa é a realidade”, afirmou Bolsonaro.
Já a CNBB negou que esteja envolvida.
“A CNBB não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral. […] Mentira não se combate com outra mentira”, afirmou a entidade.
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