Comissão da Câmara aprova regime de urgência para dobrar impostos sobre apostas online

Comissão da Câmara dos Deputados aprova regime de urgência para dobrar taxação sobre impostos de apostas no Brasil
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Ontem, 22, a Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência para o Projeto de Lei (PL) nº 5076/2025, que deve dobrar a cobrança de impostos sobre apostas online.

O PL é de autoria do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e já recebeu o apoio de 64 parlamentares da bancada do Partido dos Trabalhadores (PT). No texto do líder do partido, pede-se a alteração da Lei nº 13.756/2018, elevando de 12% para 24% a alíquota sobre a receita bruta das operadoras (GGR), destinando parte dos recursos para a seguridade social e para ações de saúde pública.

Segundo o presidente da CFT, Rogério Correia (PT-MG), a escolha do projeto teve caráter estratégico, já que o colegiado pode indicar apenas dois textos por ano para tramitar em regime de urgência.

“Estamos solicitando e acho que isso vai sensibilizar o presidente Hugo Motta para pôr isso em pauta, além dos outros projetos de lei que serão apensados. Tivemos a assinatura de 34 deputados, de todos os partidos. Isso mostra a força deste debate que está sendo feito aqui”, afirmou Correia.

O que está por trás do aumento de impostos sobre apostas

Farias reforçou que o aumento é essencial para mitigar impactos sociais do crescimento do mercado de apostas no país: “A gente sabe que o impacto disso é gigantesco. Todo mundo tem alguém viciado na família. Tenho um gráfico da taxação no mundo… França tem 33%, Itália, 20% e aqui no Brasil estamos com 12%. Dá para avançar muito mais”.

Conforme o texto do PL nº 5076/2025, o aumento da tributação seria uma maneira de frear o avanço de casos de ludopatia e, também, de reforçar o orçamento público. O texto apresenta o dado de que o Brasil já tem mais de 2 milhões de pessoas viciadas em apostas, e o número de atendimentos a jogadores compulsivos na rede pública aumentou 300% entre 2022 e 2024.

O projeto também cita dados do Banco Central, afirmando que 24 milhões de brasileiros realizaram ao menos uma transferência para plataformas de apostas entre janeiro e setembro de 2024.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já havia confirmado o apoio do governo, mas afirmou que enviará ao Congresso outros dois projetos complementares: um para ampliar a arrecadação, com foco em casas de apostas e fintechs, e outro voltado ao controle de gastos públicos. Segundo o ministro, a separação das matérias visa evitar que a oposição use a junção entre receitas e despesas para travar a tramitação.

Agora, o PL poderá ser votado diretamente em plenário, sem passar por outras comissões, devido ao caráter de urgência. A decisão final caberá ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que ainda deve definir a data.

O que mais diz o PL nº 5076/2025

O texto propõe que 76% da arrecadação líquida após deduções permaneça com o operador das apostas, 12% seja destinado à seguridade social e 12% a ações de custeio definidas em lei. O texto deve entrar em vigor no primeiro dia do quarto mês após sua publicação.

Segundo Farias, a iniciativa visa equilibrar a tributação brasileira com padrões internacionais e reduzir o apelo das ‘bets’, como descreve,, “uma atividade nociva à saúde e à economia familiar”.

“Mesmo com o aumento proposto, a alíquota brasileira ainda ficará abaixo da de outros países, como França e Alemanha. Devemos aumentar os impostos sobre as bets para que as apostas se tornem um pouco menos atrativas e para que o país obtenha os recursos necessários para investir em seu sistema de saúde”, argumentou.

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