O jornalista especializado em finanças no esporte Rodrigo Capelo, um dos sócios e diretor de Conteúdo do Sport Insider, avaliou que uma eventual proibição das apostas online no Brasil não significaria o fim do futebol brasileiro, como os clubes afirmaram na semana passada, mas provocaria consequências financeiras imediatas para os times.
Em artigo publicado neste domingo, 21, em sua coluna no Estadão, Capelo comentou a reação dos clubes brasileiros às discussões sobre novas restrições ao mercado regulado de apostas.
Para o jornalista, os clubes erraram ao apresentar a discussão como uma ameaça à própria existência do futebol. Porém, Capelo argumentou que a retirada abrupta de uma importante fonte de financiamento impactaria os clubes.
“Clubes vão dar calotes em prestadores de serviço e fornecedores, como já faz a maioria”, escreveu Capelo.

Além da inadimplência dos clubes, um problema que a maioria já enfrenta no cenário atual, o colunista apontou a possibilidade de demissões em empresas de mídia dependentes das receitas do segmento de apostas e a perda de contratos publicitários por influenciadores e outras personalidades.
“Isso é motivo para manter as apostas do jeito que elas estão hoje? Não acho. Os clubes vão se ajeitar para lidar com as dívidas novas, as empresas de mídia vão sobreviver, e o Neymar vai se contentar com os outros 30 patrocinadores dele. Se todo mundo tiver que se adequar em nome do bem comum, que assim seja”, opinou.
Rodrigo Capelo defende período de transição para clubes e operadores
Para Capelo, alterações relevantes deveriam ser baseadas em critérios técnicos e preservar um período de adaptação para contratos firmados dentro de um mercado regulamentado. Segundo uma reportagem do Estadão, no entanto, a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF) não está participando das discussões em torno da medida provisória (MP) que pode até proibir cassinos online e apostas esportivas no Brasil.
Como exemplo, Capelo citou a Premier League, que decidiu retirar os patrocínios de empresas de apostas da parte frontal das camisas dos clubes a partir desta temporada. A liga deu três anos para que clubes e empresas se preparassem para a nova realidade.
Em vez de uma proibição ampla, o jornalista afirmou que adotaria medidas voltadas à redução e moderação da publicidade, ao reforço da fiscalização dos operadores autorizados e ao aumento das barreiras para o acesso ao mercado ilegal.
“Mas isto sou eu falando, e não sou especialista no tema. Pelo menos, também não sou candidato a eleição nenhuma, nem sou financiado por casa de apostas”, concluiu Capelo.
Nosso site-irmão SBC Noticias agora tem um canal no YouTube e um podcast semanal em espanhol. Clique aqui para acessar o canal deles.
Receba um resumo com as principais notícias sobre o mercado de jogos online e de apostas esportivas no Brasil através do link. A newsletter é enviada toda segunda, terça e quinta-feira, sempre às 17 horas.












