O número médio diário de solicitações de autoexclusão das plataformas de apostas autorizadas pelo Governo Federal aumentou em 588% durante a Copa do Mundo de 2026. Os dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF) foram obtidos com exclusividade pela BBC News Brasil.
Entre 15 e 28 de junho, período com maior volume de jogos da Copa do Mundo, o sistema centralizado de autoexclusão dos sites de apostas recebeu 250.129 pedidos de bloqueio ou de prorrogação de bloqueios já existentes. O volume corresponde a uma média de 17.866 solicitações por dia.
No mês anterior, entre 11 e 25 de maio, foram contabilizados 38.907 pedidos, ou seja, uma média de 2.594 solicitações por dia. Apesar do recorte de junho ter um dia a menos, foram registradas 211.222 solicitações adicionais.
Os números ainda não abrangem toda a Copa do Mundo, que começou em 11 de junho e acabou em 19 de julho, com a vitória da Espanha. Segundo a reportagem da BBC News Brasil, os dados completos da competição e o total de novos usuários cadastrados para apostar durante o torneio ainda estão sendo contabilizados.
A plataforma nacional de autoexclusão foi lançada pela SPA em dezembro de 2025. Por meio dela, o usuário pode impedir, em uma única solicitação, que seu CPF seja utilizado em todas as casas de apostas autorizadas pelo governo, pelo período que desejar.
Nota do editor
A Copa do Mundo de 2026 foi a primeira desde a regulamentação do setor de apostas e também a maior Copa da história, já que o número de participantes aumentou de 32 para 48 seleções.
A junção destes dois fatores resultou num grande teste de estresse para o Brasil, já que a publicidade de apostas foi intensa durante a Copa. A competição serviu para o governo identificar possíveis excessos por parte de operadores e/ou emissoras e publicar novas regras que entraram em vigor em 17 de julho.
Motivos para bloqueio de apostas mudaram durante a Copa
Os dados também indicam uma mudança no perfil das solicitações. Antes do torneio, a perda de controle sobre o jogo era o principal motivo informado pelos usuários, representando 43,56% dos pedidos. Durante a Copa, essa justificativa caiu para 24,13%, conforme os dados obtidos pela BBC News Brasil.
No período da competição, a prevenção contra o uso irregular de dados pessoais passou a ocupar o primeiro lugar, com 29,5% das solicitações. Em seguida, aparecem perda de controle (24,13%), decisão voluntária (18,93%), ausência de motivo informado (15,31%), dificuldades financeiras (10,91%) e recomendação médica (1,22%).
A maioria dos usuários escolheu bloquear casas de apostas por tempo indeterminado. Essa opção passou de 62,13% dos pedidos antes da Copa para 63,53% durante o torneio.
Como o setor regulado interpreta os dados

Em posicionamento enviado à BBC News Brasil, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) afirmou que o aumento precisa ser analisado com cautela. A associação destacou que qualquer cidadão pode utilizar a plataforma, independentemente de já possuir cadastro ou histórico de apostas.
Para a associação, os números também devem ser comparados ao universo de brasileiros que utilizam sites ilegais, fora do alcance dos mecanismos de proteção do mercado regulamentado.

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), por outro lado, avaliou positivamente o crescimento das solicitações. Segundo a entidade, a alta mostra que a ferramenta está sendo utilizada por pessoas que identificaram a necessidade de interromper ou limitar sua atividade de apostas.
O instituto também ressaltou que a autoexclusão centralizada funciona somente nas plataformas autorizadas pelo Governo Federal.
Nota do editor
Para bloquear as plataformas ilegais de apostas, procure aplicativos como a Gamban, que bloqueiam dezenas ou até centenas de sites de apostas ilegais todos os dias.
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